Introdução

Há muito o que ser aprendido. Há muito o que podemos extrair do que vemos, tocamos, ouvimos, e acima de tudo, sentimos. Nossa sabedoria vem dos retalhos que vamos colhendo ao longo de nossa evolução, que os leva a formar a colcha que somos. Esse espaço é para que eu possa compartilhar das luzes que formam o que Eu tenho sido!!!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A CHICO XAVIER, NOSSO MUITO OBRIGADO!!!

Francisco Cândido Xavier (02 de ABRIL de 1910 - 30 de junho de 2002)

O APÓSTOLO CHICO XAVIER

Quando mergulhou no corpo físico, para o ministério que deveria desenvolver, tudo eram expectativas e promessas.

Aquinhoado com incomum patrimônio de bênçãos, especialmente na área da mediunidade, Mensageiros da Luz prometeram inspirá-lo e ampará-lo durante todo o tempo em que se encontrasse na trajetória física, advertindo-o dos perigos da travessia no mar encapelado das paixões bem como das lutas que deveria travar para alcançar o porto de segurança.

Orfandade, perseguições rudes na infância, solidão e amargura estabeleceram o cerco que lhe poderia ter dificultado o avanço, porém, as providências superiores auxiliaram-no a vencer esses desafios mais rudes e a crescer interiormente no rumo do objetivo de iluminação.

Adversários do ontem que se haviam reencarnado também, crivaram-no de aflições e de crueldade durante toda a existência orgânica, mas ele conseguiu amá-los, jamais devolvendo as mesmas farpas, os espículos e o mal que lhe dirigiam.

Experimentou abandono e descrédito, necessidades de toda ordem, tentações incontáveis que lhe rondaram os passos ameaçando-lhe a integridade moral, mas não cedeu ao dinheiro, ao sexo, às projeções enganosas da sociedade, nem aos sentimentos vis.

Sempre se manteve em clima de harmonia, sintonizado com as Fontes Geradoras da Vida, de onde hauria coragem e forças para não desfalecer.

Trabalhando infatigavelmente, alargou o campo da solidariedade, e acendendo o archote da fé racional que distendia através dos incomuns testemunhos mediúnicos, iluminou vidas que se tornaram faróis e amparo para outras tantas existências.

Nunca se exaltou e jamais se entregou ao desânimo, nem mesmo quando sob o metralhar de perversas acusações, permanecendo fiel ao dever, sem apresentar defesas pessoais ou justificativas para os seus atos.

Lentamente, pelo exemplo, pela probidade e pelo esforço de herói cristão, sensibilizou o povo e os seu líderes, que passaram a amá-lo, tornou-se parâmetro do comportamento, transformando-se em pessoa de referência para as informações seguras sobre o Mundo Espiritual e os fenômenos da mediunidade.

Sua palavra doce e ungida de bondade sempre soava ensinando, direcionando e encaminhando as pessoas que o buscavam para a senda do Bem.

Em contínuo contato com o seu Anjo tutelar, nunca o decepcionou, extraviando-se na estrada do dever, mantendo disciplina e fidelidade ao compromisso assumido.

Abandonado por uns e por outros, afetos e amigos, conhecidos ou não, jamais deixou de realizar o seu compromisso para com a Vida, nunca desertando das suas tarefas.

As enfermidades minaram-lhe as energias, mas ele as renovava através da oração e do exercício intérmino da caridade.

A claridade dos olhos diminuiu até quase apagar-se, no entanto a visão interior tornou-se mais poderosa para penetrar nos arcanos da Espiritualidade.

Nunca se escusou a ajudar, mas nunca deu trabalho a ninguém.

Seus silêncios homéricos falaram mais alto do que as discussões perturbadoras e os debates insensatos que aconteciam a sua volta e longe dele, sobre a Doutrina que esposava e os seus sublimes ensinamentos.

Tornou-se a maior antena parapsíquica do seu tempo, conseguindo viajar fora do corpo, quando parcialmente desdobrado pelo sono natural, assim como penetrar em mentes e corações para melhor ajudá-los, tanto quanto tornando-se maleável aos Espíritos que o utilizaram por quase setenta e cinco anos de devotamento e de renúncia na mediunidade luminosa.

Por isso mesmo, o seu foi mediunato incomparável.

...E ao desencarnar, suave e docemente, permitindo que o corpo se aquietasse, ascendeu nos rumos do Infinito, sendo recebido por Jesus, que o acolheu com a Sua bondade, asseverando-lhe:

- Descansa, por um pouco, meu filho, a fim de esqueceres as tristezas da Terra e desfrutares das inefáveis alegrias do reino dos Céus.

Joanna de Ângelis (espírito).
Psicografia de Divaldo Franco.

O SOTAQUE DAS MINEIRAS - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar lindo (das mineiras) ficou de fora?
Mineira deveria nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. 
Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso?
Assino achando que ela me faz um favor.
Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas.
Preferem abandoná-las no meio do caminho, não dizem: pode parar, dizem: 'pó parar'.Não dizem: onde eu estou?, dizem: 'ôncôtô'.
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem lingüisticamente falando, apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não (...)
Mineiras não usam o famosíssimo 'tudo bem'. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra:
- 'Cê tá boa?'. Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário. 
Há outras. (...)
- 'Aqui', não vou dar conta de chegar na hora, não. Esse 'aqui' é outro que só tem aqui (...)
Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de 'bonitim', 'fechadim', e por aí vai. Já me acostumei a ouvir:
- E aí, 'vão?'. Traduzo: - E aí, vamos?
Não caia na besteira de esperar um 'vamos' completo de uma mineira. Não ouvirá nunca. 
Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas.
Por exemplo, em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: - Eu preciso 'de' ir. Onde os mineiros arrumaram esse 'de', aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe (...) Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum.Entendam... Você não precisa ir, você precisa 'de' ir. Você não precisa viajar, você precisa 'de' viajar. Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:- Ah, mãe, eu preciso 'de' ir?
No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um 'tanto de coisa'. O supermercado não estará lotado, ele terá um 'tanto de gente'(...) Entendeu? Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: - 'Ai, gente, que dó'.É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras (...)
Para uma mineira falar que algo é muitíssimo bom vai dizer: - 'Ô, é sem noção'. Entendeu?É 'sem noção! ' Só não esqueça, por favor, o 'Ô' no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?
Capaz...
Se você propõe algo ela diz: - 'Capaz'!!!Vocês já ouviram esse 'capaz'? É lindo(...) Já ouviu o 'nem...?' Completo ele fica: - Ah, 'nem' (...) A propósito, um mineiro não pergunta: - Você não vai? A pergunta, mineiramente falando, seria: - 'Cê' não anima 'de' ir? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem(...)

O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar: - Ah, fui lá comprar umas coisas... - 'Que' s coisa?' - ela retrucará. O plural dá um pulo(...)
E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa,confidenciará: - Ele pôs a culpa 'ni mim'.A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas. Ontem, uma senhora docemente me consolou: 'preocupa não, bobo!'. E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se espantam.Talvez se espantassem se ouvissem um: 'não se preocupe', ou algo assim.
A fórmula mineira é sintética. E diz tudo. Até o tchau, em Minas, é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: 'tchau pro cê', 'tchau pro cês'. É útil deixar claro o destinatário do tchau. Então neh, as mineiras são trem bão demais sô....


FORÇAS DO SER

terça-feira, 1 de abril de 2014

SENTIMENTOS FRATERNOS

Quanto, porém, à caridade fraternal, não necessitais de
que vos escreva, visto que vós mesmos estais instruídos
por Deus que vos ameis uns aos outros - Paulo
(I Tessalonicenses, 4:9)
Forte contrassenso que desorganiza a contribuição humana, no divino edifício do Cristianismo, é o impulso sectário que atormenta enormes fileiras de seus seguidores.

Mais reflexão, mais ouvidos ao ensinamento de Jesus e essas batalhas injustificáveis estariam para sempre apagadas.

Ainda hoje, com as manifestações do plano espiritual na renovação do mundo, a cada momento surgem grupos e personagens solicitando fórmulas do Além para que se integrem no campo da fraternidade pura.

Que esperam, entretanto, os companheiros esclarecidos para serem efetivamente irmãos uns dos outros?

Muita gente se esquece de que a solidariedade legítima escasseia nos ambientes onde é reduzido o espírito de serviço e onde sobra a preocupação de criticar. Instituições notáveis são conduzidas à perturbação e ao extermínio, em vista da ausência do auxílio mútuo, no terreno da compreensão, do trabalho e da boa vontade.

Falta de assistência? Não.

Toda obra honesta e generosa repercute nos planos mais altos, conquistando cooperadores abnegados.

Quando se verifique a invasão da desarmonia nos institutos do bem, que os agentes humanos acusem a si mesmos pela defecção nos compromissos assumidos ou pela indiferença no ato de servir. E que ninguém peça ao Céu determinadas receitas de fraternidade, porque a fórmula sagrada e imutável permanece conosco no "amai-vos uns aos outros".

(Emmanuel {espírito}, através de Francisco Cândido Xavier, no livro: Pão Nosso, editado pela FEB, páginas 33 e 34.)

segunda-feira, 31 de março de 2014

ESTIVE PENSANDO: HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI


Quando nos prontificamos a entender a Doutrina dos Espíritos em seus aspectos científicos, filosóficos e religiosos, somos impelidos muitas vezes por buscas de respostas para nossos vazios existenciais e outras vezes por dores físicas e morais. Normalmente, estamos infelizes, insatisfeitos, preocupados com o que somos, com o que poderíamos ter sido e com o que poderemos ser no futuro.

Por sua ampla abrangência, comunicando com variados campos do conhecimento, e alicerçada na caridade, a Doutrina nos consola as dores físicas e morais, ampliando nosso horizonte com valores como a lei de causa e efeito, a reencarnação, a sobrevivência dos espíritos após a morte dentre outros princípios e nos esclarece – fortalecendo – revelando nossa condição de Espíritos, de que evoluímos diariamente, da influência dos espíritos em nossa vida, etc.

Apresentando-nos Jesus como guia e modelo (O Livro dos Espíritos, questão 625), a doutrina nos convida a revivermos o aprendizado evangélico, nos valendo de um novo olhar, mais racional, porém não menos emotivo ou sentimental. Revisitar o evangelho avaliando os enunciados fundamentando o entendimento nos princípios esposados pela codificação de Allan Kardec, nos faz observar que a fé é dinâmica, aprendida, absorvida, experienciada e depois vivenciada através da aplicação contínua em nossas vidas, nos suas mais variadas dimensões: biológicas, psicológicas, sociológicas e espirituais. 

Passamos a gostar do que não gostávamos nos ensinamentos e em outros casos passamos a não gostar mais daquilo com o qual nos deleitávamos. Muda-se nosso padrão de sintonia mental e com ele modificações significativas ocorrem quando tornamos a refletir sobre determinados assuntos, validando-os com nossa conduta e ações. Nosso comportamento ainda que influenciado por valores externos, passa a se valer mais do que pensamos, do que queremos, do que verdadeiramente somos.

Dentre as lições ensinadas por Jesus, as mensagens e ensinamentos exemplificados, podemos extrair para nós modelos de revitalização, de esperança, de fé, caridade, tolerância, entendimento, amor etc. 

Uma passagem que sempre me marcou e que brinco dizendo que se tivesse que tatuar algo no meu corpo tatuaria essa frase, é a que está contida no 
Evangelho de João, capítulo 14, versículos 1, 2 e 3:

  •     "Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se {não fosse assim} não teria dito que vou preparar um lugar para vós. E se eu for e preparar um lugar para vós, venho novamente, e vos tomarei para mim mesmo, a fim de que onde eu estiver, vós estejais também”. (Novo testamento – tradução de Haroldo Dutra Dias, editado pelo CEI)

Se buscarmos imaginar o momento em que Jesus disse isso, podemos enxergar o desânimo, o desalento, e até mesmo o desespero dos discípulos que vislumbravam momentos de dificuldades após a anunciada partida do Mestre, junto ao qual se sentiam seguros. Evidentemente, que depois de tantos ensinamentos que Jesus praticara algumas questões deviam já ser assimiladas por eles, mas as sintonias inteligíveis e emocionais não os permitiam enxergar além. 

Somente após a morte e consequente ressurreição do Mestre, que retorna para novos aprendizados antes da ascensão por completo, é que muito era revivido e que alguns ensinamentos começaram a fazer sentido. No caso do Evangelho de João é facilmente percebido isso se somarmos ao estudo do mesmo o fato de que foi escrito quando João já se encontra mais velho, depois de muito viver, e que as ideias amadureceram com esses passar de anos.

A mensagem é de uma força de esperança devastadora. Jesus, o Espírito mais próximo da perfeição que temos condição de entender, nos assinala que não devemos nos preocupar, pois o Pai tem muitas moradas, capazes de abrigar a todos, e que ele, o próprio Jesus é o que nos auxiliará na travessia para ocuparmos nosso lugar junto ao Pai. Mas para esse entendimento é necessário crer no Pai e no próprio Cristo. 

Essa crença no Pai porém, durante muitos anos de nosso processo evolutivo, e ainda hoje, é uma crença dogmática, em um Deus que exige aceitação para se fazer presente, que castiga os que com ele não afinizam, que escolhe filhos em detrimento de outros. Crer em um Deus assim torna a mensagem de esperança em mensagem de apreensão, pois extraímos que só ocuparemos a morada do Pai se nele crermos.

Durante longo tempo acreditamos que a Terra era o centro do universo e que tudo girava em torno dela. Acima, no céu, ficaria o lugar perfeito, o paraíso e abaixo dela o lugar dos imperfeitos, dos pecadores como gostam alguns, o inferno. Dentro dessa sistemática vivemos muitos anos com medo do inferno e sem entendermos o que nos era necessário para irmos ao céu. Por isso fomos vilipendiados por aqueles que às vezes por maledicência, ás vezes por ignorância, nos mostravam regras para essa demanda que nos obrigavam a uma vida de verdadeiro pavor. Pensar em algo diferente do estabelecido pelas classes dominantes, entre elas o clero, já era condição de irmos para o inferno. 

Por causa disso e muitas outras coisas, a mensagem de esperança se perdeu no caminho, mas após o advento do Espiritismo reaparece com a essência divina, que retrata a esperança de todos nós.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo III, intitulado “HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DO MEU PAI”, Kardec nos apresenta com comentários próprios e auxílio de outros Espíritos, dentre eles Santo Agostinho, uma perspectiva que renova o entendimento esperançoso da assertiva ao nos mostrar que a Terra é apenas mais um lugar, e isso ao contrário de nos desmerecer como pensam algum, nos fortalece pois demonstra que não estamos sozinhos, que esse momento vai passar, que há outros lugares melhores para se viver e que para se transferir para lá não é necessário a complacência ou autorização de ninguém, que essa transferência passa por nossa capacitação para tal. 

Somos os responsáveis por onde queremos estar no futuro. Não é maravilhoso?

Aproveitemo-nos desses ensinamentos para podermos fortalecer nosso "hoje" com vistas ao um futuro melhor pessoal e coletivamente.

Kardec, dividiu assim o capítulo, que depois vamos destacar individualmente:
  •  Diferentes estados da alma na erraticidade;
  •    Diferentes categorias de mundos habitados;
  •          Destinação da Terra. Causa das misérias humanas;
  •   Instruções dos Espíritos
    •    Mundos inferiores e mundos superiores;
    •   Mundo de expiações e de provas
    •    Mundos regeneradores
    •    Progressão dos mundos
DIFERENTES ESTADOS DA ALMA NA ERRATICIDADE

Kardec destaca no início do texto que “A casa do Pai é o Universo: as diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, e oferecem, aos Espíritos encarnados, moradas apropriadas ao seu adiantamento”. Lembra Kardec que na erraticidade (estado dos Espíritos errantes, isto é, não encarnados, durante o intervalo de suas existências corpóreas) “enquanto que uns não podem se distanciar da esfera em que viveram, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundos (...)”. Isso nos mostra que para onde vamos depende de nossas condições morais. Assim sendo podemos ir a todos os lugares que quisermos, porém é necessário que nos capacitemos para tal. Estar desencarnado não é condição para liberdade. A liberdade é uma conquista, realizada à custa de esforço e de nossa capacidade de discernimento, como nos ensinou Paulo – todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas, nos convém (I Cor 6-12). O que acontece na erraticidade, próximo á crosta terrestre nos é apresentado com muita propriedade pelo Espírito André Luiz, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira na coleção de livros editada pela FEB e intitulada: A vida no mundo espiritual. O que nos espera é trabalho, esforço, aprimoramento, auxílio aos irmãos necessitados, não muito diferente do que necessitamos hoje. Sinal de que podemos já iniciar uma nova maneira de viver, que não terá fim com a morte física.

DIFERENTES CATEGORIAS DE MUNDOS HABITADOS

No item 4, abrigado sobre esse subtítulo, Kardec ressalta e informa: “Embora não possa ser feita, dos diversos mundos, uma classificação absoluta, pode-se, todavia, em razão de seu estado e de sua destinação, e baseando-se nas diferenças mais acentuadas, dividi-los de uma modo geral, como se segue: os mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana; os mundos de expiação e de provas, onde o mal domina; os mundos regeneradores, onde as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta; os mundos felizes, onde o bem se sobrepõe ao mal; os mundos celestes ou divinos, morada dos Espíritos depurados, onde o bem reina inteiramente. A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e de provas, e é por isso que o homem nela é alvo de tantas misérias”. Sendo assim podemos entender que: na Terra estaremos vivenciando situações que estarão, de forma incontestável, nos servido de expiação ou de prova; na Terra havendo a predominância do mal se formos o contrário dessa corrente estaremos nos capacitando para mudarmos de mundo. Para isso é necessário que entendamos que expiar algo não á apenas pagar por ele, mas eliminá-lo de nossa vida, e que nossa missão é diminuirmos cada vez mais nossas expiações e aumentarmos nossas provas, pois expiação é uma relação minha com o que fui e prova é uma relação com o que serei. Expiação é uma relação com o mundo de onde venho e estou e prova é aspiração de um mundo que quero estar.

DESTINAÇÃO DA TERRA. CAUSA DAS MISÉRIAS HUMANAS

Há entre nós, muitos que consideram ser a raça humana, e, por conseguinte, a humanidade uma perdição para a Terra. Valem de análises superficiais tomando muitas vezes, por exemplo, as exceções, desconsiderando o todo. Evidentemente, que após a explanação sobre a pluralidade dos mundos, entender a destinação da Terra passa a ser de mais fácil aceitação. Temos dificuldades, misérias, violências geradas sempre pelo que acreditamos, pois desconsideramos o que somos em detrimento de como estamos. Para Kardec “(...) da mesma forma que, numa cidade, toda a população não está nos hospitais ou nas prisões, toda a humanidade não está sobre a Terra; como se sai do hospital quando se está curado, e da prisão quando se cumpre o tempo, o homem deixa a Terra por mundos mais felizes, quando está curado das suas enfermidades morais”. Buscar novos ares depende de cada um de nós, inicialmente pessoalmente e depois coletivamente. A Terra é neste momento o resultado do que fazemos, e por isso podemos modificar as coisas, pois se somos capazes de destruir, somos ainda mais capazes de construir.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS – MUNDOS INFERIORES E MUNDOS SUPERIORES

Os itens 8, 9, 10, 11 e 12 desse subtítulo explicando os mundos inferiores e superiores foram realizados segundo Kardec, pelo colegiado dos Espíritos Superiores não tendo uma assinatura personalista. Destacamos algumas anotações importantes, mas lembramos que a leitura total favorecerá ainda mais o entendimento sobre as diferenciações necessárias para nossa evolução. Deus é soberanamente justo e bom e se estamos na Terra nesse momento é porque o merecemos.
  •      A qualificação de mundos inferiores e de mundos superiores é antes relativa do que absoluta (...);
  •     Tomando a Terra como ponto de comparação, pode-se ter uma ideia do estado de um mundo inferior (...) nos mais atrasados, os seres que os habitam são, de alguma sorte, rudimentares (...) só a força bruta faz a lei. Sem indústria, sem invenções, despendem a vida na conquista da sua nutrição (...) Deus não abandona nenhuma das suas criaturas; no fundo das trevas da inteligência, jaz, latente, a vaga intuição de um Ser Supremo (...) nos Espíritos Puros, desmaterializados e resplandecentes de glória, se tem dificuldade em reconhecer aqueles que animaram esses seres primitivos, da mesma forma que, no homem adulto, se tem dificuldade em reconhecer o embrião;
  •    Nos mundos que atingiram um grau superior, as condições da vida moral e material são bem outras que as de sobre a Terra (...) O corpo nada tem da materialidade terrestre, e não está, por conseguinte, sujeito nem às necessidades, nem às doenças, nem às deteriorações (...) a pouca resistência que a matéria oferece aos Espíritos já muito avançados, torna o desenvolvimento dos corpos mais rápido e a infância curta ou quase nula, a vida isenta de inquietações e angústias (...);
  •    Nesses mundos felizes (...) só a superioridade moral e inteligente estabelece a diferença das condições e dá a supremacia. À autoridade é sempre respeitada, porque não é dada senão à quem tem mérito, e se exerce sempre com justiça. O homem não procura se levar acima do homem, mas acima de si mesmo, aperfeiçoando-se (...);
  •         Em vosso mundo, tendes a necessidade do mal par sentir o bem, da noite para admirar a luz, da doença para apreciar a saúde, nos mundos superiores esses contrastes não são necessários (...) à medida que se eleva e se depura, o horizonte se ilumina, e ele {o homem} compreende o bem que tem adiante de si, como compreendeu o mal que ficou atrás de si (...)

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS – MUNDOS DE EXPIAÇÕES E DE PROVAS

Em mensagem atribuída ao Espírito de Santo Agostinho podemos extrair entendimentos para nossa encarnação na Terra. Aqui estamos pois “A Terra fornece um dos tipos de mundos expiatórios, cujas variedades são infinitas, mas que têm por caráter comum servir de lugar de exílio aos Espíritos rebeldes à lei de Deus. Aí esses Espíritos têm de lutar, ao mesmo tempo, contra a perversidade dos homens e contra a inclemência da Natureza, duplo e penoso trabalho que desenvolve, a uma só vez, as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, em sua bondade, faz reverter o próprio castigo em proveito do progresso do Espírito”.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS – MUNDOS REGENERADORES

Segundo o Espírito Santo Agostinho, “os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes; a alma que se arrepende, neles encontra calma e o repouso, acabando de se depurar (...)” e acrescenta que “(...) uma perfeita equidade regula as relações sociais; todos se revelando a Deus e tentando ir a ele, seguindo suas leis.” O mundo de regeneração ainda é um meio termo, ainda não é o lugar ideal, mas em se comparando com o mundo de expiação e prova é muito, mas muito mais feliz. Porém é preciso se atentar ao que nos escreve o Espírito de Santo Agostinho: “(...) {no mundo de regeneração} o homem ainda é falível, e o Espírito do mal não perdeu, ali, completamente seu império. Não avançar é recuar, e se não está firme no caminho do bem, pode voltar a cair nos mundos de expiação, onde o esperam novas e mais terríveis provas”.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS – PROGRESSÃO DOS MUNDOS

O Espírito de Santo Agostinho nos instrui nesse item, ensinando que “(...) Deus quer que tudo engrandeça e prospere”. Afinal de contas o progresso é lei divina e natural, e por isso “ao mesmo tempo que os seres vivos progridem moralmente, os mundos que eles habitam progridem materialmente (...) assim caminham paralelamente o progresso do homem, o dos animais seus auxiliares, dos vegetais e da habitação, porque nada é estacionário na Natureza (...) Ela {a Terra} atingiu um dos seus períodos de transformação, em que, de mundo expiatório, tornar-se à mundo regenerador, então os homens serão felizes, porque a lei de Deus nela reinará”.

Finalizamos nossa preparação para palestra que faremos realizar sobre o tema, multiplicando fragmentos de texto produzido por Divaldo Pereira Franco, através do Espírito Joanna de Ângelis, intitulado “DIVERSIDADE DE MORADAS”, inserido no livro: Jesus e o Evangelho – À luz da psicologia profunda -, editado pela Livraria Espírita Alvorada Editora, páginas 33 a 38:
  •  Quanto mais primitivo o princípio espiritual, mais grosseiro é o mundo em que deve habitar, a fim de experimentar o desabrochar dos conteúdos psíquicos nele jacentes, que se vão desenvolvendo conforme os fatores mesológicos e circunstanciais, guiado pelo fatalismo da evolução que nele existe, ascendendo na escala da evolução e transferindo-se de um para outro conforme a necessidade do seu progresso que jamais se encontra estanque;
  • O bem e o mal – essa dualidade luz e sombra – em que se debate o Espírito humano, representam o futuro e o passado de cada ser humano no trânsito evolutivo. O primeiro à luz da psicologia profunda, é o auto-encontro, a liberação do lado escuro plenificado pelo conhecimento da verdade, enquanto o outro são as fixações do transito pelos instintos primários, que ainda vicejam nos sentimentos e na conduta aguardando superação;
  • Examinando-se o planeta terrestre onde se debatem as forças do bem e do mal, constatamos ser ele uma escola de provas e de depurações cujas lições de aprimoramento ocorrem mediante o império do sofrimento, mas que podem converter-se ao impositivo do amor em conquistas permanentes, felicitadoras;
  •  Na razão direta em que o Self predomina sobre o ego, e as lições de Jesus são essenciais a essa mudança, a essa superação de paixões, menos materializado se torna o Espírito, que aprende a aspirar a mais altas especulações e conquistas ambicionando o infinito.






quinta-feira, 27 de março de 2014

ESTIVE PENSANDO: AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO

Dentre as obras basilares da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, encontra-se o Evangelho Segundo o Espiritismo. Ainda no frontispício da obra acha-se grafado um aforismo que encerra a maneira como a fé deve ser vivenciada pelos adeptos do Espiritismo: “Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade”. Dentro desse raciocínio cumpre-nos entender que os assuntos relacionados à fé devem acontecer não no campo da crença por aceitação, mas da crença por entendimento, valendo-se dos diversos campos do conhecimento disponíveis em nosso momento atual da existência.

Segundo entendimento de Kardec, os Evangelhos de Jesus (escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João) podem se dividir em 05 partes:
1 – Os atos comuns da vida do Cristo;
2 – Os milagres;
3 – As profecias;
4 – As palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja;
5 – O ensinamento moral.

Prosseguindo na introdução ao livro, Kardec destaca que “Para os homens em particular, é uma regra de conduta, abrangendo todas as circunstâncias da vida, privada ou pública, o princípio de todas as relações sociais fundadas sobre a mais rigorosa justiça; é, enfim, e acima de tudo, o caminho infalível da felicidade esperada, um canto do véu levantado sobre a vida futura”. Apesar das modificações, interpretações, e demais incertezas que cercam os evangelhos e demais escritos ditos sagrados, não é a palavra em si que nos interessa, apesar de a mesma ser importantíssima, mas o sentido por trás dela, o que lhe dá vida é que nos garante o entendimento.

Em sendo assim, Kardec organizou o Evangelho Segundo o Espiritismo em temas e buscou associar a esses temas, sempre morais, as passagens evangélicas que  serviram de fundo para estudos e comentários tanto de Kardec quanto de Espíritos diversos espalhados por todo o canto e se manifestando dentro das mesmas sintonias, conferindo a obra um viés universalista que incluem a todos, independente de como estejam física e moralmente.

Nessas divisões coube ao capítulo XI abrigar uma reflexão e ensinamento intitulado, AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO, subdivididos em seções conforme se segue:

·        O maior mandamento;
·        Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem;
·        Parábola dos credores e dos devedores;
·        Daí a César o que é de César;
·        Instruções dos Espíritos: A lei de amor – O Egoísmo – A fé e a caridade – Caridade para com os criminosos – Deve-se expor a própria vida por um malfeitor?
Vamos a partir de agora destacar o que nos chama mais atenção nesse momento de nossa evolução espiritual.

O maior mandamento - Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem – Parábola dos credores e dos devedores

Alicerçado sobre as passagens contidas em Mateus (22, 34-40), Mateus (7,12), Lucas (6, 31) e Mateus (18, 23 a 35) Kardec nos apresenta os momentos em que questionado pelos doutores da lei, Jesus reforça que o mandamento maior a que os Judeus estavam subordinados (de um total de 613 conforme o Levítico) o amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo sintetizaria toda a Lei e os ensinamentos dos profetas. Aqui Jesus deixa-nos claro que mais do que saber das coisas, devemos procurar o sabor que elas têm. Se entendermos o sabor das coisas, das palavras, das ações e suas conseqüências, podemos evitar que nos sejam necessários outros ensinamentos, nos libertando de amarras e de compromissos com a Lei de Causa e Efeito. Destaca Kardec: “Amar o próximo como a si mesmo: fazer para os outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós é a mais completa expressão da caridade, porque resume todos os deveres para com o próximo. Não se pode ter guia mais seguro, a esse respeito, que tomando por medida, do que se deve fazer para os outros, o que se deseja para si”. Essa é a regra áurea presente em todas as manifestações espiritualistas da humanidade seja em religiões constituídas sejam em filosofias. A diferença para o Cristão em relação a este entendimento é que a regra áurea antes de ser um fim em si mesma, é uma condição da ascensão evolucional, exemplifica pelo Mestre Jesus. Ele não apenas nos apontou um caminho, como trilhou por ele. Ao apresentar a parábola dos credores e dos devedores Jesus nos ensina que muitas vezes nos apegamos à Misericórdia e Indulgência de  Deus e dos Homens em relação aos nossas dificuldades e problemas, mas nos valemos da Justiça a qualquer preço quando nos são solicitados a mesma Misericórdia e a mesma Indulgência. Se esperamos amor, que passemos a amar, se esperamos perdão, que passemos a amar, até porque só entendemos o que nos é dado quando passamos a dar o mesmo também.

Daí a César o que é de César

Valendo-se de passagens contidas nos Evangelhos de Mateus (22, 15-22) e Marcos (12, 13-17) Kardec nos traz para reflexão o momento em que questionado sobre o pagamento de impostos, que os Judeus deviam fazer aos Romanos, Jesus responde com uma frase que ficou de todos muito conhecida: “Daí a César o que é de César”. Durante muito tempo e até hoje muitos se valem dessa assertiva para justificarem possíveis ações materiais em detrimento à ações espirituais e muitas ações espirituais em detrimento de ações materiais, dualizando a existência, com se fôssemos um ser de duas faces e a ação de uma face justifica a ação ou a não-ação da outra. Vejamos o que destaca Kardec: “Esta máxima – Daí a César o que é de César – não deve ser entendida de uma forma restritiva e absoluta. Como todos os ensinamentos de Jesus, é um princípio geral resumido sob uma forma prática e usual, e deduzida de uma circunstância particular”. Podemos entender a partir de Kardec que se faz necessário ampliar os horizontes para entendimento melhor desse assunto, nos valendo de outros princípios que nos permitem auxiliar aos que necessitam sem para isso nos valermos de citações de que tem o que merecem. Merecimento é entendimento superior e só Deus e Espíritos que comungam com ele em plenitude, Jesus por exemplo, são capazes de perceber intimamente. Ainda podemos trazer a reflexão que separarmos nossas ações no plano material daquilo que fazemos no plano espiritual é uma condição de imaturidade evolutiva. Somos um, sempre, onde quer que estejamos devemos nos valer de nossa condição de Espíritos, e a prática da caridade é uma boa sugestão para afirmação íntima dessa condição.

A lei de Amor

Kardec seleciona três textos para tratar desse assunto e que retratam o pensamento de espíritos que se apresentam como Lázaro, Fénelon e Sansão. Para Lázaro “o amor resume inteiramente a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu início, o homem não tem senão instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos, e o ponto delicado do sentimento é o amor, que condensa e reúne em seu foco ardente todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas”, e acrescenta ao final do texto “(...) compreendendo a lei de amor que une todos os seres, nela encontrareis as suaves alegrias da alma, que são o prelúdio das alegrias celestes”. O texto de Fénelon traz que “o amor é de essência divina, e, desde o primeiro até o último, possuis no fundo do coração a chama desse fogo sagrado”, acrescenta que ele “se desenvolve e engrandece com a moralidade e a inteligência, e, ainda que comprimido pelo egoísmo, é a fonte de santas e doces virtudes que fazem as afeições sinceras e duráveis e vos ajudam a transpor a rota escarpada e árida da existência humana”, reforça que “para praticar a lei de amor, tal como Deus a entende, é preciso que chegueis, progressivamente, a amar a todos os vossos irmãos, indistintamente”, e conclui mostrando que “a terra, morada de prova e de exílio, será então purificada por esse fogo sagrado, e verá praticar a caridade, a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação, o sacrifício, virtudes todas filhas do amor”. Já Sansão nos brinda em seu texto com o ensinamento de que “amar, no sentido profundo da palavra, é ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que se quereria para si mesmo; é procurar ao redor de si o sentido íntimo de todas as dores que oprimem vossos irmãos para abrandá-las”, e acrescenta ao final : “grande pensamento de renovação pelo Espiritismo, tão bem descrito em O Livro dos Espíritos tu produzirás o grande milagre do século futuro, o da reunião de todos os interesses materiais e espirituais dos homens, pela aplicação desta máxima bem compreendida – Amai bastante, a fim de serdes amados”.  Podemos verificar de maneira clara e inequívoca que a pratica do Amor é a maneira que o Pai encontrou para nos mantermos ligados a ele. Deus é amor, e se somos filhos do amor, somos também amor, mas em estado latente. Desvirtuamos muitas vezes esse sentimento, por causa de nosso processo evolutivo. Não herdamos o amor, nós o conquistamos. E para essa conquista nos é necessário os estágios mais diversos de modo que no final, onde quer que estejamos, fazendo o que quer que estejamos fazendo, o amor seja de tal forma em nosso Espírito, que não nos será mais possível dele nos apartar. Como nos lembra Paulo em sua carta aos Coríntios, entre a fé, a esperança e o amor, o maior deles é o amor, pois quando estivermos face a face com o Pai, ou seja quando estivermos agindo 100% conforme sua vontade, a fé não nos será mais necessária, a esperança nos será desnecessária, mas o Amor, esse será sempre o elo que unirá a todos no desejo comum de bem estar, de bem viver, de plenitude com o Criador. Joanna de Ângelis, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, no livro: Jesus e o Evangelho – À luz da psicologia profunda, comentando sobre esse item, no capítulo intitulado, Libertação Pelo Amor, nos assevera que “na perspectiva da psicologia profunda o ser vive para amar e ser amado, iluminar a sombra e fazer prevalecer o Self”, ou seja a vida se realiza na proporção que nos libertamos das transitoriedades das sombras (eu egóico) e nos concentramos nas permanências do Self (eu profundo ou divino). Continua a mentora a nos instruir que o amor é “terapia eficiente para superação da sombra, medicamento salutar par o ego enfermo, estímulo eficiente para o Self que desabrocha soberano quando irrigado pelo fluxo desse sentimento superior da vida”. Trás ela também sua conceituação de amor, nos revelando que “amar é abrir o coração sem reservas, encontrar-se desarmado de sentimentos de oposição, sempre favorável ao bem e ao progresso mesmo quando discordando das colocações que são apresentadas”. Traçando comentários sobre a trajetória terrena de Jesus e sua atuação perante aos próximos necessitados de atenção, afeto, entendimento, acolhimento e amor, ela nos mostra que “invariavelmente as pessoas que ainda não aprenderam com o Homem-Jesus a excelência do amor, pensam que são amadas porque se fazem especiais, esquecendo-se que por amarem tornam-se especiais.” Sem desmerecer a existência terrena, importante para nosso progresso ascensional, Joanna reforça que “a existência terrena, embora merecendo respeito e credora de preservação, quando luz o amor ao próximo, cede lugar pessoal em favor daquele transferindo-se por abnegação de uma condição existencial efêmera para outra espiritual e eterna”. É o amor o responsável por espiritualizarmos o que nos é material demais. É o amor o sentimento que nos permite sofrer dor sem sofrimento, dar sem ter e receber apesar de não achar-se merecido. É o amor, o que inverte os sentidos, re-significa valores, aponta soluções que nos garantam a paz interior.

O egoísmo

Para tratar desse assunto Kardec seleciona dois textos. Um de Emmanuel e outro de Pascal. Emmanuel, trás texto vigoroso e positivo, como se norteia toda sua criação literária, afirmando que “o egoísmo, esta chaga da humanidade, deve desaparecer da Terra, cujo progresso moral retarda; ao Espiritismo está reservada a tarefa de fazê-la subir na hierarquia dos mundos”, nos mostrando que a missão dos viventes é acabar com o egoísmo, condição necessária para evolução planetária. Para isso segundo ele é necessário “coragem porque é preciso mais coragem para vencer a si mesmo do que para vencer os outros”, uma vez que o egoísmo “filho do orgulho, é a fonte de todas as misérias deste mundo. É a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo a felicidade dos homens”. Conclui Emmanuel que “é a esse antagonismo da caridade e do egoísmo, à invasão desse lepra do coração humano, que o Cristianismo deve não ter cumprido ainda toda a sua missão. E a vós, apóstolos novos da fé é que os Espíritos Superiores esclarecem, a quem incumbe a tarefa e o dever de extirpar esse mal, para dar ao Cristianismo toda a sua força e limpar o caminho das sarças que lhe entravam a marcha”. Pascal nos lembra em seu artigo que “(...) o Cristo não se recusava; aquele que se dirigisse a ele, quem quer que fosse, não era repelido...”, e sugere “começai a dar o exemplo vós mesmos; sede caridosos par com todos indistintamente; esforçai-vos por não mais notar aqueles que vos olham com desdém, e deixai a Deus o cuidado de toda a justiça, porque cada dia, em seu reino, ele separa o joio do trigo”. Trazendo a luz uma contribuição atemporal, ele conclui “o egoísmo é a negação da caridade; ora, sem a caridade não haverá tranqüilidade na sociedade; digo mais, nem segurança...”. Para os moldes atuais de nossa sociedade podemos perceber o quanto esses dois espíritos estavam adiantados em seus raciocínios. Vivemos uma sociedade egoísta, individualista, calcada no ter para ser e que tem mostrado que a segregação oriunda dessa forma de viver nos é prejudicial a todos. Buscamos a segurança em nossas vidas imaginando que a teremos eliminando os que nos afligem, sendo que muitos só nos afligem hoje porque já os eliminamos ontem de terem sonhos factíveis e não delírios materialistas. A caridade, como excelência do amor deve ser nossa bandeira de vida. Em todos os lugares e a todo tempo. Segundo Joanna de Ângelis, através de Divaldo Pereira Franco, na obra: Jesus e o Evangelho – À luz da psicologia profunda, “o egoísmo é úlcera moral que degenera o organismo espiritual da criatura humana” e acrescenta que “a terapia eficiente para tão terrível flagelo é o altruísmo, por desenvolver os sentimentos superiores que defluem da razão e do discernimento ampliando as possibilidades de crescimento interior de cada um no rumo do Infinito”. Apresentado as ações de Jesus como referência à postura que enfrenta os egoísmos pessoais e de massa, ela nos mostra que “a sua conduta foi irrepreensível e a Sua alegria de servir ao Pai através dos Irmãos, demonstrou o verdadeiro sentido do altruísmo que deve frondejar nos sentimentos gerais”. E para finalizar nos concita a reflexão: “enquanto o egoísmo conspira contra a caridade, esta é-lhe a terapia eficiente, única de que dispõe a vida para desenvolver os sentimentos de fraternidade e de justiça entre os homens”.

A fé e a caridade

Para tratar deste tema Kardec nos apresenta um texto de um Espírito que se nomeia: Um Espírito Protetor. Nos lembra o mesmo “que a caridade sem a fé não bastava para manter, entre os homens, uma ordem social capaz de torná-los felizes” e que “Deus nos criou para sermos felizes na eternidade; entretanto, a vida terrestre deve servir unicamente ao nosso aperfeiçoamento moral, que se adquire mais facilmente com a ajuda dos órgãos e do mundo material”. Conclui ele: “a história da cristandade fala de mártires que foram ao suplício com alegria; hoje, e em vossa sociedade, não é preciso, para serdes cristão, nem o holocausto do mártir, nem o sacrifício da vida, mas única e simplesmente o sacrifício do vosso egoísmo, do vosso orgulho e da vossa vaidade”.  Podemos observar aqui que a prática da caridade é o caminho para nosso aperfeiçoamento moral, nossa ascensão espiritual e a maneira pelo qual o mundo terá igualdade social. A fé transformada em obras é a receita para que possamos evoluir com menos sofrimento.

Caridade para com os criminosos

Para tratar desse assunto, Kardec nos trás a comunicação do Espírito que se apresenta como sendo o de Elisabeth de França, que segundo biografias disponíveis morreu na guilhotina. Começa por ratificar que “deveis amar os infelizes, os criminosos, como criaturas de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como a vós mesmos, pelas faltas que cometeis contra a sua lei”, nos provocando reflexões acerca de julgamentos que fazemos “não sabeis que há muitas ações que são crimes aos olhes do Deus de pureza e que o mundo não considera sequer como faltas leves?”. Reforça ela, ainda, que “ a caridade sublime, ensinada por Jesus, consiste também na benevolência concedida sempre, e em todas as coisas, ao vosso próximo” e por isso “deveis àqueles de quem falo o socorro de vossas preces: é a verdadeira caridade. Não é preciso dizer de um criminoso – é um miserável; é preciso expurgá-lo da Terra; a morte que se lhe inflige é muito suave para um ser dessa espécie – não, não é assim que deveis falar.” Para essas tratativas se não temos como auxiliar diretamente, que o façamos pelas preces, pelo entendimento (que não é aceitação) do ocorrido sobre todas as dimensões necessárias não nos esquecendo da lei de causa e efeito, da sobrevivência dos espíritos depois da morte, e acima de tudo do atributo do Pai que é soberanamente justo e bom e saberá cuidar de todos os envolvidos, não nos sendo necessário pensamentos malévolos motivados por nosso senso de justiça mesquinho e pessoal.

Deve se expor a vida por um malfeitor?

Para tratar desse assunto Kardec se vale de uma pergunta que é respondida pelo Espírito Lamennais. Questiona Kardec se devemos nos expor para salvar a vida de alguém que por até ali ser uma pessoa infeliz poderá continuar a sê-lo após o desenrolar da urgência. Lamennais em suas considerações assevera que: “a morte, talvez, chegue muito cedo para ele; a reencarnação poderá ser terrível; lançai-vos, pois homens! Vós a quem a ciência espírita esclareceu: lançai-vos, arrancai-o à sua condenação, e então talvez, esse homem que morreria vos insultando, se atirará em vossos braços”. Se considerarmos os esclarecimentos acerca dos princípios espíritas, da presença justa e boa de Deus, dos exemplos de Jesus, de nossa condição de Espírito, de que evoluímos a cada dia, da lei de causa e efeito, da reencarnação, da influência dos espíritos em nossas vidas, não podemos titubear e auxiliar, confiantes de que o desenrolar do embaraço estará amparado pelas leis morais do Pai.


quarta-feira, 26 de março de 2014

O VELEIRO E A MORTE


Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.

O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.
Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: Já se foi.
Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.

O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós.
Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.

O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo.
E talvez, no exato instante em que alguém diz: Já se foi, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: Lá vem o veleiro.

Assim é a morte.

Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: Já se foi.
Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.

O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se perdeu. Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado.
Conserva o mesmo afeto que nutria por nós. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado.

E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: Já se foi, no mais Além, outro alguém dirá feliz: Já está chegando.
Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena.

A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos.
Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.

A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas.
Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.


Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajores da Imortalidade que somos todos nós.

Victor Hugo

terça-feira, 25 de março de 2014

HOMENS DE FÉ

Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica,
assemelhá-lo-ei ao homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha- Jesus
(Mateus, 7:24)
Os grandes pregadores do Evangelho sempre foram interpretados à conta de expressões máximas do Cristianismo, na galeria dos tipos veneráveis da fé; entretanto, isso somente aconteceu quando os instrumentos da verdade, efetivamente, não olvidaram a vigilância indispensável ao justo testemunho.

É interessante verificar que o Mestre destaca, entre todos os discípulos, aquele que lhe ouve os ensinamentos e os pratica. Daí se conclui que os homens de fé não são aqueles apenas palavrosos e entusiastas, mas os que são portadores igualmente da atenção e da boa vontade, perante as lições de Jesus, examinando-lhes o conteúdo espiritual para o trabalho de aplicação no esforço diário.

Reconforta-nos assinalar que todas as criaturas em serviço no campo evangélico seguirão para as maravilhas interiores da fé. Todavia, cabe-nos salientar, em todos os tempos, o subido valor dos homens moderados que, registrando os ensinos e avisos da Boa Nova, cuidam, desvelados, da solução de todos os problemas do dia ou da ocasião, sem permitir que suas edificações individuais se processem longe das bases cristãs imprescindíveis.

Em todos os serviços, o concurso da palavra é sagrado e indispensável, mas aprendiz algum deverá esquecer o sulime valor do silêncio, a seu tempo, na obra superior do aperfeiçoamento de si mesmo, a fim de que a ponderação se faça ouvida, dentro da própria alma, norteando-lhe os destinos.

(Emmanuel, através de Francisco Cândido Xavier, no livro Pão Nosso, lição 9, páginas 31 e 32)