Vivemos em uma civilização que pensa a vida em termos de capital: capital financeiro, capital intelectual, capital social.
Tudo é avaliado pelo que rende, pelo que produz, pelo retorno que oferece. Nesse contexto, o tempo é frequentemente percebido como escasso, fugaz, algo que se perde ou se desperdiça.
À luz da Doutrina Espírita, essa percepção se transforma profundamente. Para o Espírito imortal, o tempo não se extingue.
Ele não é confiscado pela morte nem limitado pela existência corporal. O que se altera não é o tempo em si, mas a forma como o Espírito o utiliza e o converte em progresso moral.
Allan Kardec identifica como fundamento da Doutrina Espírita a imortalidade da alma. Sendo o Espírito imortal, o tempo não pode ser compreendido como algo que se perde definitivamente. Em “O Céu e o Inferno”, Kardec afirma que a alma conserva, após a morte, as qualidades, os defeitos e as paixões que possuía na Terra. Nada se apaga, nada se anula. O tempo vivido permanece inscrito na consciência.
Dessa forma, o tempo pode ser compreendido como um verdadeiro capital moral. Cada encarnação representa um período delimitado de aplicação desse capital, um conjunto específico de oportunidades educativas. O valor não está na duração da vida, mas na forma como ela é vivida.
Na segunda parte de “O Céu e o Inferno”, dedicada aos exemplos dos Espíritos após o desencarne, observa-se que o lamento mais recorrente não é o de ter vivido pouco, mas o de não ter aproveitado bem a existência corporal. Os Espíritos sofrem pela consciência desperta de que o tempo disponível poderia ter sido convertido em crescimento moral, em reparação, em amor.
Kardec esclarece que o sofrimento espiritual não constitui punição arbitrária, mas consequência natural do uso inadequado do livre-arbítrio. O prejuízo não consiste na perda do tempo, mas na ausência de rendimento espiritual daquele período. O capital permanece, mas o Espírito precisa retomar o aprendizado em novas condições.
Essa compreensão encontra respaldo direto no Evangelho. Na parábola dos talentos, Jesus ensina que a cada um é confiado algo segundo sua capacidade, e que o mérito não está na quantidade recebida, mas no uso que se faz do que foi confiado. O servo censurado não perdeu o talento; ele o enterrou, deixando de fazê-lo frutificar.
Quando Jesus afirma que é preciso trabalhar enquanto é dia, Ele não anuncia o fim do tempo, mas o fim de determinadas condições favoráveis. O tempo continua, mas as oportunidades mudam.
Assim, à luz da Doutrina Espírita, o tempo é o único capital que o Espírito jamais deixa de possuir. Cada encarnação é um recorte pedagógico desse capital infinito. O sofrimento nasce não da falta de tempo, mas da percepção tardia de que ele poderia ter sido melhor utilizado.O tempo não se perde. Ele se transforma em consciência, em aprendizado ou em necessidade de reparação. Cabe a cada Espírito decidir se fará desse capital um instrumento de progresso ou de atraso.
(Reflexão produzida com auxílio da IA a partir da parametrização realizada por Emerson Santos com base no livro "O Céu e o Inferno".)