Introdução

Há muito o que ser aprendido. Há muito o que podemos extrair do que vemos, tocamos, ouvimos, e acima de tudo, sentimos. Nossa sabedoria vem dos retalhos que vamos colhendo ao longo de nossa evolução, que os leva a formar a colcha que somos. Esse espaço é para que eu possa compartilhar das luzes que formam o que Eu tenho sido!!!

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

ORAÇÃO DA MANHÃ


Senhor...

No silêncio maravilhoso desta manhã, viemos Senhor pedir saúde, a sabedoria e a paz, o amor, a caridade e a fraternidade. 

Queremos olhar o mundo com os olhos cheios de amor.

Queremos ser pacientes, compreensivos, mansos e prudentes e vermos também além das aparências nossos filhos assim como os vê e assim ver senão o bem de cada um. 

Cerra os nossos ouvidos a toda calúnia, guarde nossa mente e nossa língua contra toda maldade. 

Revesti-nos de vossa beleza Senhor, para que no decurso deste dia e dos dias vindouros nós venhamos a vos reverberar a todos, compreendendo, amando e ajudando sempre, para a nossa própria felicidade. Assim seja. 

(oração aprendida com o amigo Nestor no Centro Espírita Casimiro Cunha)

PAI NOSSO

Pai nosso que estais nos céus, em nós e em toda parte do Universo ao mesmo tempo. 

Santificado seja vosso Santo e Amado nome em louvor de todas as criaturas. 

Venha a nós o vosso Reino de Amor e de Sabedoria e seja feita a vossa vontade acima de nossos desejos, tanto na Terra quanto no Plano Espiritual. 


O pão nosso de cada dia, do corpo, do Espírito e da Mente dai-nos hoje e sempre Senhor. 

Perdoai nossas dívidas dando condições e oportunidades para ressarcirmos nossos débitos até o último cetil através dos nossos estudos, nossos trabalhos, nossos bons pensamentos e boas atitudes e livrai-nos também de todos os males que ainda existem em nós mesmos porque vosso é o Reino, o Poder e a Glória para sempre, assim seja. 

(oração recitada pelo amigo Nestor sempre que solicitado por nós em reuniões públicas no Centro Espírita Casimiro Cunha)

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

A PERFEIÇÃO POSSÍVEL: DEVER, CONSCIÊNCIA E TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO

Ao longo da história humana, a ideia de transformar o mundo quase sempre esteve associada a grandes feitos, reformas estruturais ou personagens extraordinários. O pensamento espírita, entretanto, herdeiro direto do ensino moral do Cristo, desloca esse eixo: a verdadeira revolução começa no íntimo do homem comum, no modo como ele vive os deveres que lhe cabem. É nesse ponto que dialogam, com harmonia profunda, o item 7 do capítulo XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo e a reflexão de Emmanuel no capítulo 2 de Caminho, Verdade e Vida.


Quando Emmanuel afirma que seria justo examinar “como se elevaria o mundo se cada homem cuidasse de sua parte, nos deveres comuns, com perfeição e sinceridade”, ele convida o leitor a um exercício de lucidez moral. Não se trata de utopia distante, mas de uma hipótese concreta: e se cada espírito assumisse, com seriedade e honestidade, a responsabilidade que já lhe pertence? O mundo, nessa perspectiva, não melhora por decretos externos, mas por coerência íntima.

Essa mesma ideia estrutura o item 7 do capítulo XVII do Evangelho segundo o Espiritismo, quando Kardec descreve o verdadeiro homem de bem. Ele não é identificado por títulos, crenças declaradas ou práticas exteriores, mas pela maneira como cumpre seus deveres. Age com justiça, benevolência e caridade; respeita as leis divinas porque as compreende; pratica o bem sem ostentação e sem aguardar ocasiões extraordinárias. Sua moral se revela no cotidiano.

O ponto de encontro entre os dois textos está justamente na valorização do dever comum como espaço privilegiado de crescimento espiritual. Emmanuel não fala de heróis morais isolados do mundo, mas de homens e mulheres inseridos na vida social, familiar e profissional. Kardec, por sua vez, não propõe um modelo de perfeição inacessível, mas uma ética vivida passo a passo, no relacionamento com o próximo e consigo mesmo.

Ambos rompem com a falsa ideia de que a santidade exige fuga das responsabilidades humanas. Pelo contrário, mostram que é no exercício delas que o espírito se educa. Trabalhar com honestidade, conviver com paciência, servir sem esperar recompensas, agir com sinceridade — eis a perfeição possível, aquela que está ao alcance de todos e que, somada, eleva o mundo.


Há, ainda, um aspecto pedagógico fundamental nessa convergência: ela desloca o foco da crítica social para a autocrítica moral. Em vez de perguntar por que o mundo é imperfeito, o ensinamento espírita convida o indivíduo a indagar como ele próprio tem contribuído para essa imperfeição ou para sua superação. Emmanuel é incisivo ao afirmar que a elevação do mundo depende da parte que cada um realiza. Kardec confirma essa lógica ao mostrar que o progresso moral é sempre pessoal antes de ser coletivo.

Assim, a perfeição ensinada por Jesus — “sede perfeitos” — não é uma exigência abstrata, mas um chamado à fidelidade diária ao bem. O mundo se transforma quando o homem se transforma; a sociedade se regenera quando os indivíduos se regeneram; e essa regeneração começa, silenciosamente, no modo como cada espírito honra os deveres que a vida lhe confiou.

Nesse sentido, Emmanuel não apenas comenta o Evangelho: ele o vivifica. E Kardec não apenas codifica a moral cristã: ele a torna praticável. Juntos, apontam um caminho claro e exigente, mas profundamente humano: fazer bem o que nos cabe, onde estamos, com sinceridade de coração.

(Texto produzido pela IA com parametrizações de Emerson Santos)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O TEMPO COMO CAPITAL MORAL: UMA LEITURA ESPÍRITA DA EXISTÊNCIA

Vivemos em uma civilização que pensa a vida em termos de capital: capital financeiro, capital intelectual, capital social. 

Tudo é avaliado pelo que rende, pelo que produz, pelo retorno que oferece. Nesse contexto, o tempo é frequentemente percebido como escasso, fugaz, algo que se perde ou se desperdiça.

À luz da Doutrina Espírita, essa percepção se transforma profundamente. Para o Espírito imortal, o tempo não se extingue. 

Ele não é confiscado pela morte nem limitado pela existência corporal. O que se altera não é o tempo em si, mas a forma como o Espírito o utiliza e o converte em progresso moral.

Allan Kardec identifica como fundamento da Doutrina Espírita a imortalidade da alma. Sendo o Espírito imortal, o tempo não pode ser compreendido como algo que se perde definitivamente. Em “O Céu e o Inferno”, Kardec afirma que a alma conserva, após a morte, as qualidades, os defeitos e as paixões que possuía na Terra. Nada se apaga, nada se anula. O tempo vivido permanece inscrito na consciência.

Dessa forma, o tempo pode ser compreendido como um verdadeiro capital moral. Cada encarnação representa um período delimitado de aplicação desse capital, um conjunto específico de oportunidades educativas. O valor não está na duração da vida, mas na forma como ela é vivida.

Na segunda parte de “O Céu e o Inferno”, dedicada aos exemplos dos Espíritos após o desencarne, observa-se que o lamento mais recorrente não é o de ter vivido pouco, mas o de não ter aproveitado bem a existência corporal. Os Espíritos sofrem pela consciência desperta de que o tempo disponível poderia ter sido convertido em crescimento moral, em reparação, em amor.

Kardec esclarece que o sofrimento espiritual não constitui punição arbitrária, mas consequência natural do uso inadequado do livre-arbítrio. O prejuízo não consiste na perda do tempo, mas na ausência de rendimento espiritual daquele período. O capital permanece, mas o Espírito precisa retomar o aprendizado em novas condições.

Essa compreensão encontra respaldo direto no Evangelho. Na parábola dos talentos, Jesus ensina que a cada um é confiado algo segundo sua capacidade, e que o mérito não está na quantidade recebida, mas no uso que se faz do que foi confiado. O servo censurado não perdeu o talento; ele o enterrou, deixando de fazê-lo frutificar.

Quando Jesus afirma que é preciso trabalhar enquanto é dia, Ele não anuncia o fim do tempo, mas o fim de determinadas condições favoráveis. O tempo continua, mas as oportunidades mudam.

Assim, à luz da Doutrina Espírita, o tempo é o único capital que o Espírito jamais deixa de possuir. Cada encarnação é um recorte pedagógico desse capital infinito. O sofrimento nasce não da falta de tempo, mas da percepção tardia de que ele poderia ter sido melhor utilizado.

O tempo não se perde. Ele se transforma em consciência, em aprendizado ou em necessidade de reparação. Cabe a cada Espírito decidir se fará desse capital um instrumento de progresso ou de atraso.

(Reflexão produzida com auxílio da IA a partir da parametrização realizada por Emerson Santos com base no livro "O Céu e o Inferno".)



quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

A MORAL DO EVANGELHO E A IMPESSOALIDADE DA INTERPRETAÇÃO

Uma leitura convergente entre Allan Kardec e Emmanuel

A leitura dos textos sagrados sempre desafiou a inteligência humana, não apenas pela complexidade simbólica de sua linguagem, mas sobretudo pela exigência moral que impõem à consciência. No âmbito do Espiritismo, esse desafio é enfrentado por meio de um método que une razão, universalidade e vivência ética. É nesse contexto que se harmonizam duas orientações aparentemente distintas, mas profundamente complementares: a advertência de Emmanuel, no prefácio de Caminho, Verdade e Vida, de que a Bíblia “não seja de particular interpretação”, e a afirmação de Allan Kardec, na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de que “a parte moral do Evangelho é a que nos interessa”.


À primeira vista, poderia parecer que a recusa à interpretação particular limitaria a liberdade de compreensão individual, enquanto a ênfase kardeciana na moral abriria espaço a múltiplas leituras subjetivas. No entanto, uma análise mais atenta revela que ambas as proposições caminham na mesma direção: a preservação do caráter universal, impessoal e transformador do ensinamento evangélico.

Quando Emmanuel alerta contra a “interpretação particular”, não se refere ao esforço legítimo de compreensão, nem à aplicação pessoal dos ensinamentos do Cristo. O que se combate é o personalismo interpretativo — isto é, a leitura condicionada pelo ego, pela vaidade intelectual ou pelo interesse circunstancial do intérprete. A Escritura, nesse sentido, não pode ser moldada ao leitor; é o leitor que deve ser progressivamente educado por ela. O texto sagrado deixa de cumprir sua função quando se transforma em instrumento de confirmação de opiniões pessoais, afastando-se de sua finalidade maior: a edificação moral do Espírito.

Allan Kardec, ao afirmar que a parte moral do Evangelho é a que verdadeiramente importa, estabelece um critério seguro de leitura. Ele não propõe uma seleção arbitrária do texto bíblico, mas uma depuração metodológica. Ao retirar do campo de análise os elementos dogmáticos, milagrosos ou historicamente controversos, Kardec preserva aquilo que resiste ao tempo, às culturas e às crenças: a ética do amor, da caridade, da justiça e da humildade. A moral evangélica, por sua própria natureza, não pertence a uma tradição exclusiva, nem a uma interpretação individual; ela se dirige à humanidade como um todo.

É precisamente nesse ponto que as duas abordagens convergem. O Evangelho não admite interpretação particular porque sua essência é moral e universal. Sendo a moral do Cristo aplicável a todos, ela não pode ser fragmentada segundo interesses pessoais ou compreendida fora do conjunto harmônico de seus princípios. A verdadeira interpretação, portanto, não se realiza no plano da opinião, mas no da consciência. Não é um exercício de erudição, mas de transformação interior.


Isso não significa uniformidade mecânica de compreensão. Cada Espírito assimila a moral evangélica conforme seu grau evolutivo, suas experiências e suas necessidades íntimas. A lei é una, mas a vivência é progressiva. A interpretação não deve ser particular no sentido egoísta, mas a aplicação é inevitavelmente pessoal, pois se dá no campo da experiência individual. Assim como uma mesma luz se refrata de modos distintos conforme o cristal que a recebe, a moral do Evangelho ilumina as consciências segundo sua capacidade de refletir.

Kardec oferece o eixo doutrinário: o conteúdo essencial do Evangelho está na moral. Emmanuel oferece a atitude espiritual: humildade, disciplina interior e fidelidade ao espírito do ensinamento. Juntos, eles nos conduzem a uma hermenêutica que não separa entendimento e vivência, estudo e reforma íntima. Ler o Evangelho, nesse contexto, é um ato de responsabilidade espiritual, em que o sentido último do texto se revela menos pelas palavras compreendidas e mais pelas virtudes incorporadas.

Desse modo, a advertência contra a interpretação particular não limita o pensamento; ao contrário, liberta-o do ego e o conduz à universalidade do amor ensinado por Jesus. A moral do Evangelho, sendo o ponto de interesse central, torna-se também o critério de autenticidade de toda leitura: aquilo que não conduz à transformação moral do ser ainda não foi verdadeiramente compreendido.

(Texto produzido pela IA com parametrização de Emerson Santos)

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

ORAÇÃO NOSSA


Senhor, ensina-nos a orar sem esquecer o trabalho.
A dar sem olhar a quem.
A servir sem perguntar até quando.
A sofrer sem magoar seja a quem for.
A progredir sem perder a simplicidade.
A semear bem sem pensar nos resultados.
A desculpar sem condições.
A marchar para frente sem contar os obstáculos.
A ver sem malícia.
A escutar sem corromper os assuntos.
A falar sem servir.
A compreender o próprio sem exigir entendimento.
A respeitar os semelhantes sem esperar considerações.
A dar o melhor de nós além da execução do próprio bem sem cobrar as taxas de reconhecimento.
Senhor, fortalece em nós a paciência para com as dificuldades dos outros assim como precisamos da paciência dos outros para com as nossas dificuldades. 
Ajude-nos para que não façamos aos outros o que não queremos seja feito a nós.
Auxilia-nos sobretudo a reconhecer que a nossa felicidade mais alta será, invariavelmente, àquela de cumprir os desígnios onde e como queiras, hoje, agora e sempre. 

Francisco Cândido Xavier pelo espírito Emmanuel 

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

VOZES DO ESPÍRITO

 

Deus é meu Pai

A Natureza é minha Mãe.

O Universo é meu Caminho.

A Eternidade é meu Reino.

A Imortalidade é minha Vida. 

A Mente é meu Lar.

O Coração é meu Templo.

A Verdade é meu Culto.

O Amor é minha Lei.

A Forma em si é minha Manifestação.

A Consciência é meu Guia.

A Paz é meu Abrigo.

A Experiência é minha Escola.

O Obstáculo é minha Lição.

A Dificuldade é meu Estímulo.

A Alegria é meu Cântico.

A Dor é meu Aviso.

A Luz é minha Realização.

O Trabalho é minha Bênção.

O Amigo é meu Companheiro.

O Adversário é meu Instrutor.

O Próximo é meu Irmão.

A Luta é minha Oportunidade.

O Passado é minha Advertência.

O Presente é minha Realidade.

O Futuro é minha Promessa.

O Equilíbrio é minha Atitude.

A Ordem é minha Senha.

A Beleza é meu Ideal.

A Perfeição é meu Destino.


Francisco Cândido Xavier pelo Espírito "O Espírito" no livro: Aulas da Vida - Capítulo 32 


(Esta mensagem foi psicografada em reunião íntima de preces, em Belo Horizonte, Minas. O mensageiro que a escreveu e que se apresentou num ambiente de grande elevação não se identificou e assinou o comunicado apenas com as palavras: “O Espírito.” — Nota do médium.



domingo, 17 de abril de 2022

SOBRE A JUSTIÇA

 "A Justiça não é uma virtude como as outras. Ela é o horizonte de todas e a Lei de sua coexistência. (...) todo valor a ela supõe; toda Humanidade a requer. Não é porém, que ela faça as vezes da felicidade, mas nenhuma felicidade a dispensa.

"Porque, se a Justiça desaparece, é coisa sem valor o fato de os homens viverem na Terra. (Kant)

"O justo em suma, é aquele que só fica com sua parte dos bens, e com toda a sua parte dos males. (Aristóteles)

"(...) o justo é o que é conforme a Lei e o que respeita a igualdade, e o injusto o que é contrário à Lei e o que falta com a igualdade.

"Os mais numerosos, não os mais justos ou os mais inteligentes, prevalecem e fazem a Lei.

"A Justiça é a igualdade, mas a igualdade dos direitos, sejam eles juridicamente estabelecidos ou moralmente exigidos.

"Justiça = nem egoísmo, nem altruísmo, mas a pura equivalência dos direitos atestada ou manifestada pela intercambialidade dos indivíduos.

"O 'eu' é injusto em si, pelo fato de se fazer o centro de tudo, e incômodo aos outros, porque cada 'eu' é inimigo e gostaria de ser tirano de todos os outros."

André-Comte Sponville - Pequeno tratado das grandes virtudes



sábado, 16 de abril de 2022

SOBRE A CORAGEM

"O que é universalmente admirado o é, portanto, também pelos maus e pelos imbecis. São eles tão bons juízes assim?

"A virtude não é um espetáculo e não lhe importam os aplausos.

"(...) Embora sempre estimada, de um ponto de vista psicológico ou sociológico, a coragem só é, verdadeiramente estimável, do ponto de vista moral quando se põe, ao menos em parte, a serviço de outrem, quando escapa, pouco ou muito, do interesse egoísta imediato.

"Não se escapa de ego; não se escapa do princípio de prazer, mas encontrar seu prazer em servir ao outro, encontrar seu bem-estar na ação generosa, longe de contrariar o altruísmo é a própria definição e o princípio de virtude.

"O justo sem a prudência, não saberia como combater a injustiça, mas sem a coragem, não ousaria empenhar-se nesse combate.

"A coragem não é a ausência de medo, é a capacidade de enfrentá-lo, de dominá-lo, de superá-lo, o que supõe que ela existe ou deveria existir.

"Só esperamos o que não depende de nós; só queremos o que depende de nós. É por isso que a esperança só é uma virtude para os crentes, ao passo que a coragem o é para qualquer homem.

"A vida nos ensina que é preciso coragem para suportar o desespero, e também que o desespero, às vezes, pode dar coragem."

André-Comte Sponville. Livro: Pequeno tratado das grandes virtudes. 

CAOS E ORDEM


"O dualismo vê os pares como realidades justapostas, sem relação entre si. Separa aquilo que no concreto vem sempre junto: esquerdo ou direito; interior ou exterior; masculino ou feminino.

"A dualidade, ao contrário, coloca 'e' onde o dualismo coloca 'ou'. Enxerga os pares como os dois lados do mesmo corpo, como dimensões de uma mesma complexidade.

"O Universo, cada Ser, cada coisa, contêm dentro de si os dois movimentos: o caos (desordem) e o cosmos (ordem).

"Assim é o caminhar de todas as coisas: ordem-desordem-interação-nova ordem. O caos nunca é absoluto e a ordem, jamais estável. Tudo está em processo permanente e, aberto, em busca de um equilíbrio dinâmico. 

Leonardo Boff. Livro: A águia e a galinha - uma metáfora da condição humana.