Introdução

Há muito o que ser aprendido. Há muito o que podemos extrair do que vemos, tocamos, ouvimos, e acima de tudo, sentimos. Nossa sabedoria vem dos retalhos que vamos colhendo ao longo de nossa evolução, que os leva a formar a colcha que somos. Esse espaço é para que eu possa compartilhar das luzes que formam o que Eu tenho sido!!!

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

A PERFEIÇÃO POSSÍVEL: DEVER, CONSCIÊNCIA E TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO

Ao longo da história humana, a ideia de transformar o mundo quase sempre esteve associada a grandes feitos, reformas estruturais ou personagens extraordinários. O pensamento espírita, entretanto, herdeiro direto do ensino moral do Cristo, desloca esse eixo: a verdadeira revolução começa no íntimo do homem comum, no modo como ele vive os deveres que lhe cabem. É nesse ponto que dialogam, com harmonia profunda, o item 7 do capítulo XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo e a reflexão de Emmanuel no capítulo 2 de Caminho, Verdade e Vida.


Quando Emmanuel afirma que seria justo examinar “como se elevaria o mundo se cada homem cuidasse de sua parte, nos deveres comuns, com perfeição e sinceridade”, ele convida o leitor a um exercício de lucidez moral. Não se trata de utopia distante, mas de uma hipótese concreta: e se cada espírito assumisse, com seriedade e honestidade, a responsabilidade que já lhe pertence? O mundo, nessa perspectiva, não melhora por decretos externos, mas por coerência íntima.

Essa mesma ideia estrutura o item 7 do capítulo XVII do Evangelho segundo o Espiritismo, quando Kardec descreve o verdadeiro homem de bem. Ele não é identificado por títulos, crenças declaradas ou práticas exteriores, mas pela maneira como cumpre seus deveres. Age com justiça, benevolência e caridade; respeita as leis divinas porque as compreende; pratica o bem sem ostentação e sem aguardar ocasiões extraordinárias. Sua moral se revela no cotidiano.

O ponto de encontro entre os dois textos está justamente na valorização do dever comum como espaço privilegiado de crescimento espiritual. Emmanuel não fala de heróis morais isolados do mundo, mas de homens e mulheres inseridos na vida social, familiar e profissional. Kardec, por sua vez, não propõe um modelo de perfeição inacessível, mas uma ética vivida passo a passo, no relacionamento com o próximo e consigo mesmo.

Ambos rompem com a falsa ideia de que a santidade exige fuga das responsabilidades humanas. Pelo contrário, mostram que é no exercício delas que o espírito se educa. Trabalhar com honestidade, conviver com paciência, servir sem esperar recompensas, agir com sinceridade — eis a perfeição possível, aquela que está ao alcance de todos e que, somada, eleva o mundo.


Há, ainda, um aspecto pedagógico fundamental nessa convergência: ela desloca o foco da crítica social para a autocrítica moral. Em vez de perguntar por que o mundo é imperfeito, o ensinamento espírita convida o indivíduo a indagar como ele próprio tem contribuído para essa imperfeição ou para sua superação. Emmanuel é incisivo ao afirmar que a elevação do mundo depende da parte que cada um realiza. Kardec confirma essa lógica ao mostrar que o progresso moral é sempre pessoal antes de ser coletivo.

Assim, a perfeição ensinada por Jesus — “sede perfeitos” — não é uma exigência abstrata, mas um chamado à fidelidade diária ao bem. O mundo se transforma quando o homem se transforma; a sociedade se regenera quando os indivíduos se regeneram; e essa regeneração começa, silenciosamente, no modo como cada espírito honra os deveres que a vida lhe confiou.

Nesse sentido, Emmanuel não apenas comenta o Evangelho: ele o vivifica. E Kardec não apenas codifica a moral cristã: ele a torna praticável. Juntos, apontam um caminho claro e exigente, mas profundamente humano: fazer bem o que nos cabe, onde estamos, com sinceridade de coração.

(Texto produzido pela IA com parametrizações de Emerson Santos)