Introdução

Há muito o que ser aprendido. Há muito o que podemos extrair do que vemos, tocamos, ouvimos, e acima de tudo, sentimos. Nossa sabedoria vem dos retalhos que vamos colhendo ao longo de nossa evolução, que os leva a formar a colcha que somos. Esse espaço é para que eu possa compartilhar das luzes que formam o que Eu tenho sido!!!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O TEMPO COMO CAPITAL MORAL: UMA LEITURA ESPÍRITA DA EXISTÊNCIA

Vivemos em uma civilização que pensa a vida em termos de capital: capital financeiro, capital intelectual, capital social. 

Tudo é avaliado pelo que rende, pelo que produz, pelo retorno que oferece. Nesse contexto, o tempo é frequentemente percebido como escasso, fugaz, algo que se perde ou se desperdiça.

À luz da Doutrina Espírita, essa percepção se transforma profundamente. Para o Espírito imortal, o tempo não se extingue. 

Ele não é confiscado pela morte nem limitado pela existência corporal. O que se altera não é o tempo em si, mas a forma como o Espírito o utiliza e o converte em progresso moral.

Allan Kardec identifica como fundamento da Doutrina Espírita a imortalidade da alma. Sendo o Espírito imortal, o tempo não pode ser compreendido como algo que se perde definitivamente. Em “O Céu e o Inferno”, Kardec afirma que a alma conserva, após a morte, as qualidades, os defeitos e as paixões que possuía na Terra. Nada se apaga, nada se anula. O tempo vivido permanece inscrito na consciência.

Dessa forma, o tempo pode ser compreendido como um verdadeiro capital moral. Cada encarnação representa um período delimitado de aplicação desse capital, um conjunto específico de oportunidades educativas. O valor não está na duração da vida, mas na forma como ela é vivida.

Na segunda parte de “O Céu e o Inferno”, dedicada aos exemplos dos Espíritos após o desencarne, observa-se que o lamento mais recorrente não é o de ter vivido pouco, mas o de não ter aproveitado bem a existência corporal. Os Espíritos sofrem pela consciência desperta de que o tempo disponível poderia ter sido convertido em crescimento moral, em reparação, em amor.

Kardec esclarece que o sofrimento espiritual não constitui punição arbitrária, mas consequência natural do uso inadequado do livre-arbítrio. O prejuízo não consiste na perda do tempo, mas na ausência de rendimento espiritual daquele período. O capital permanece, mas o Espírito precisa retomar o aprendizado em novas condições.

Essa compreensão encontra respaldo direto no Evangelho. Na parábola dos talentos, Jesus ensina que a cada um é confiado algo segundo sua capacidade, e que o mérito não está na quantidade recebida, mas no uso que se faz do que foi confiado. O servo censurado não perdeu o talento; ele o enterrou, deixando de fazê-lo frutificar.

Quando Jesus afirma que é preciso trabalhar enquanto é dia, Ele não anuncia o fim do tempo, mas o fim de determinadas condições favoráveis. O tempo continua, mas as oportunidades mudam.

Assim, à luz da Doutrina Espírita, o tempo é o único capital que o Espírito jamais deixa de possuir. Cada encarnação é um recorte pedagógico desse capital infinito. O sofrimento nasce não da falta de tempo, mas da percepção tardia de que ele poderia ter sido melhor utilizado.

O tempo não se perde. Ele se transforma em consciência, em aprendizado ou em necessidade de reparação. Cabe a cada Espírito decidir se fará desse capital um instrumento de progresso ou de atraso.

(Reflexão produzida com auxílio da IA a partir da parametrização realizada por Emerson Santos com base no livro "O Céu e o Inferno".)