Introdução

Há muito o que ser aprendido. Há muito o que podemos extrair do que vemos, tocamos, ouvimos, e acima de tudo, sentimos. Nossa sabedoria vem dos retalhos que vamos colhendo ao longo de nossa evolução, que os leva a formar a colcha que somos. Esse espaço é para que eu possa compartilhar das luzes que formam o que Eu tenho sido!!!

terça-feira, 8 de março de 2016

IMORTALIDADE


A noite sombria da morte sucede a madrugada clarificadora da vida espiritual.

Em toda a parte estua a vibração miraculosa e pulsante da vida que não cessa.

Morre a semente para surgir a planta vitoriosa. Decompõe-se a matéria a fim de nutrir outras formas de vidas.

Gasta-se uma estrutura desta ou daquela natureza para ressurgir, mais além, em manifestações novas e expressivas .

A serenidade do cadáver humano é enganosa e utópica. Além das células em transformações incessantes, onde se locupletam vibriões, o espírito desperta.

Nada nem ninguém. Morrer é somente mudar de estado.

A paz das necrópoles é pobreza dos sentidos dos que supõem contemplá-la.

A perda da indumentária física não confere prosperidade espiritual nem conduz à ruína desesperadora, senão àqueles que as elaboraram antes.

Cada ser desperta consoante viveu vinculado ou liberto das paixões.

A morte pode ser considerada como o despir da aparência e o despertar para a realidade. Ela não apaga o amor que prossegue em cânticos afetuosos, imanando sentimentos que se alongam além das fronteiras do corpo, nem interrompe o intercâmbio do ódio que expele emanações mefíticas, alongando processos obsessivos de longo e tormentoso curso.

Quantos se acostumaram à beleza das emoções superiores escalam os óbices da limitação e atingem excelsas regiões.

Aqueles, no entanto, que se fixaram nas paisagens grotescas da animalidade primitiva, acordam envoltos nas paixões que conduziram ao decesso carnal, mais vorazes, mais infelizes, mais atormentados.

Não há milagre ante a morte ...

Não procures os que partiram para a Imortalidade, em dias a eles consagrados, nas tumbas onde se diluíram as impressões da forma, pois que lá não estão.

Evita visitá-los nos campos dos despojos carnais, considerando que lá não os encontrarás.

Se foram amorosos e bons, libram acima das conjunturas imediatistas, visitam-te, intercambiam o amor e trabalham, vitoriosos, esperando por ti.

Se viveram descuidados, entorpecidos pelo ópio do prazer, dormem o longo sono da consciência aparvalhada, experimentando pesadelos e agonias de difícil tradução para o teu entendimento.

Se jornadearam adstritos à impiedade e atados ao erro deste ou daquele teor, sofrem e fazem sofrer, procurando, no próprio lar ou em outras mentes de fora do ninho doméstico, com as quais se afinam, intercâmbio inquietante e enfermiço.

Seja qual for o roteiro por onde tansitaram aqueles teus afetos, agora além da carne, ora por eles, pensa neles com bondade e amor.

Transforma as moedas que iriam adquirir flores e luzes frágeis demais para os atingirem - logo mais fanadas e mortas, bruxuleantes e sem lume - em leite e pães para débeis criancinhas esquálidas, em caldo quente e reconfortante para velhinhos esquecidos nas sombras espessas da miséria, em medicamento refazente para enfermos em agonias e dores tormentosas, em agasalhos para corpos em absoluta nudez, em oportunidade de trabalho para pais de família ao desemprego e desassossegados, em meios honrosos para todos aqueles que seguem pelo teu caminho, como homenagem a eles, os teus mortos queridos, que vivem e te bendirão o amor.

O que fizeres em memória deles se transformará em lenitivo às suas aflições, atestado inequívoco de afeição que não passará despercebido por eles.

Desobstrui gavetas e armários e passa adiante o que conservas como lembrança deles, fazendo-os apegados a esses valores realmente mortos ...

Teus mortos vivem!

Respeita-os, homenageando-os através da bênção da caridade dirigida a outros.

Enquanto a saudade macerava os corações atemorizados dos discípulos, após os sucessos da tarde trágica de Jerusalém, e a inquietação os sobressaltava, pela madrugada do domingo, mulheres piedosas, entre as quais uma ex-cortesã, acorreram ao sepulcro aberto na rocha, para visitar o inumado querido, encontrando, porém, a sepultura violada e vazia.

Procurando informar-se do que sucedera, a jovem de Magdala defrontou-O nimbado de safirina e radiosa luz, enquanto Ele, sorrindo, saúda-a jubiloso: -- «Maria» !

Diante dos entes queridos, mortos, recorda Maria de Magdala aflita e Jesus triunfante depois da morte, retomando em incomparável manifestação de IMORTALIDADE gloriosa, vencedor das sombras e das dores ...

Divaldo Pereira Franco, através de Joanna de Ângelis (Espírito) no livro:Lampadário Espírita.

segunda-feira, 7 de março de 2016

DEIXE IR. VOCÊ SOMENTE PODE PERDER AQUILO A QUE SE APEGA

Deixar ir pode ser uma parte dolorosa da vida. Mas ela é necessária. Saber deixar ir é fundamental para se alcançar a liberdade. Leia esta e outras reflexões sobre o desapego.


Por: Equipe OÁSIS

Deixar ir não significa que você não se preocupa mais com alguém. É simplesmente perceber que a única pessoa sobre a qual você realmente tem controle é você mesmo. - Deborah Reber, Chicken Soup for the Teenage Soul

Algumas pessoas acreditam que aguentar e suportar são sinais de grande força. No entanto, há momentos em que é preciso muito mais força para saber quando deixar ir e, em seguida, fazê-lo. - Ann Landers

Perdão significa se libertar do passado. - Gerald Jampolsky

No processo de deixar ir você perderá muitas coisas do passado, mas você se encontrará. - Deepak Chopra

Deixar ir, nos ajuda a viver em um estado mental de muita paz e nos ajuda a restaurar o nosso equilíbrio, permitindo que os outros sejam responsáveis por si mesmos e nos retirando de situações que não nos pertencem. Isso nos liberta do estresse desnecessário. - Melody Beattie, The Language of Letting Go

Abra seus braços para mudanças, mas não abra mão de seus valores. - Dalai Lama

Deixe de lado a sua fixação em estar sempre certo e, de repente, sua mente estará mais aberta. - Ralph Marston

As maiores perdas de tempo são o atraso e a expectativa, pois dependem do futuro. Nós deixamos passar o presente, que temos em nosso poder, e olhamos ansiosos para aquilo que depende de uma oportunidade, e assim renunciamos de uma certeza por uma incerteza. - Seneca

Prender-se é acreditar que só há um passado; desapegar-se é saber que há um futuro- Daphne Rose Kingma

Precisamos aprender a deixar ir tão facilmente como nós nos apegamos e vamos encontrar nossas mãos cheias e nossas mentes vazias. - Leo F. Buscaglia

A coragem é o poder de deixa ir o familiar. - Raymond Lindquist

Você não precisa de força para deixar ir algo. O que você realmente precisa é de compreensão. - Guy Finle

Qualquer coisa que eu não posso transformar em algo maravilhoso, eu deixo ir. - Anais Nin

As pessoas podem ser mais piedosas do que você possa imaginar. Mas você tem que perdoar a si mesmo. Deixe de lado o que é amargo e siga em frente. - Bill Cosby

Toda a arte de viver se encontra em uma bela mistura de desapego e segurança. - Havelock Ellis

O espaço físico e mental que criamos por deixar ir coisas que pertencem ao nosso passado nos dá... a opção de preencher o espaço com coisas novas. - Susan Fay West.

Quando eu deixo ir o que eu sou, eu me torno o que eu posso ser. Quando eu deixo ir aquilo que eu tenho, eu recebo o que eu preciso. - Tao Te Ching

Alguns acham que se apegar é que nos faz forte, mas, às vezes, é no deixar ir.- Herman Hesse

Deixar ir é liberar as imagens e as emoções, os ressentimentos e medos, os apegos e as decepções do passado que prendem o nosso espírito. - Jack Kornfield

Devemos estar dispostos a deixar ir a vida que planejamos, de modo a termos a vida que está esperando por nós. - Joseph Campbell

Você tem que fazer uma escolha consciente a cada dia para largar o velho - o que quer que "o velho" signifique para você. - Sarah Ban Breathnach 

Nirvana significa extinguir as chamas ardentes dos três venenos: apego, raiva e ignorância. Isso pode ser feito, deixando ir a insatisfação. - Shinjo Ito

Há uma diferença importante entre desistir e deixar ir. - Jessica Hatchigan

Você somente pode perder aquilo a que se apega. - Buda


REENCARNAR É PRECIOSO!!!

Acessem o Canal dos Amigos da Luz no Youtube e tenha ensinamentos doutrinários e evangélicos com muito, mas muito bom humor.

O ESPÍRITA PERANTE O SOFRIMENTO


Publicado originalmente em FÓRUM ESPÍRITA

Sabemos que a Terra é lugar de expiação e dor, como sabemos que a dor purifica e eleva. A dor é um dos meios pelos quais progredimos mais rapidamente. Como, pois, devemos encarar as dores e os sofrimentos físicos da vida? Com calma, resignação, e até com alegria, lembrando sempre que a dor é o caminho mais rápido para a nossa ascensão às mais altas regiões, e o meio mais seguro de afastar-nos das veleidades humanas.

Temos visto espíritas que souberam sofrer com resignação e alegria. Embora nos momentos de paroxismo da dor estivessem quietos e sérios, e às vezes cansados, o que é muito natural, uma vez passados esses momentos estavam relativamente tranquilos e alegres. E quando a doença lhes dava tréguas, mostravam-se expansivos e dispostos a exaltar a Justiça de Deus. Foram poucos os que vimos. Mas os que desencarnaram, e dos quais pudemos saber posteriormente, mostravam-se sempre num estado muito feliz no mundo espiritual, satisfeitos por haverem sabido sofrer com serenidade as dores da existência material.

Vimos outros espíritas que, embora aparentassem resignação, também choravam e lamentavam seus muitos sofrimentos. Entendo que esses espíritas não andavam bem, e não estavam livres de cair. Porque a tristeza engendra o mau humor, que pode dar lugar à murmuração contra o destino. E quando chegamos à murmuração, estamos a um passo da revolta. Um espírita nesse estado revela atraso moral e desconhecimento da lei divina. Que diríamos de um comerciante que reclamasse de ter muitos negócios a realizar, ganhando muito dinheiro? Diríamos que era um mau comerciante, incapaz de aproveitar as boas oportunidades. Assim são os espíritas que, diante das dores da vida, se entristecem ou se atribulam, e às vezes se revoltam.

O espírita deve encarar a existência material como um curso de provas de toda espécie: físicas e morais, que servem para levá-lo a um verdadeiro progresso. Nunca deve confundir essa existência com a verdadeira vida, mas encará-la como um período de estudos e provas, em que se prepara com vistas a esta última, que se encontra na erraticidade. Cada dia que passamos na carne corresponde a milhares de anos que iremos viver no Espaço. Que significam, pois, estes pequenos períodos que chamamos de vida material, diante da vida espiritual que nos aguarda? Se a lei nos obriga a sofrer, porque nada na Criação escapa à Justiça, devemos fazê-lo com a maior serenidade. Pois sabemos que isso constitui para nós um grande bem, e que chegamos à hora de provar se o Espiritismo mergulhou em nosso interior ou se permanece apenas superficial. Se é superficial, não podemos chamar-nos espíritas. Se estiver arraigado no mais fundo de nossa alma, saberemos encarar as provas e dores da existência como necessárias, e honraremos a doutrina que professamos.

Nenhum espírita deve duvidar que no Reino de Deus não se entra de surpresa, nem se atinge a felicidade senão depois da purificação. Assim é que as comodidades, as alegrias mundanas, os gozos da Terra, não são os caminhos indicados para alcançarmos a felicidade no espaço. Também não deve duvidar que, quanto mais próximo se acha da sua felicidade espiritual, mais submetido será a todas as provas terrenas. Basta recordar a vida dos mártires, dos justos, dos humildes e dos bons, e compará-la com a maneira de viver dos grandes do mundo, dos opulentos, dos potentados, para ver que enquanto os primeiros tem os olhos voltados para o futuro, os segundos não veem mais do que as delícias mundanas. Disso nos dá uma excelente prova o Senhor e Mestre, em seus mandamentos e em seus atos:

Bem-aventurados os que sofrem, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

Estas são as palavras do Senhor. Confiemos n’Ele. Sigamos seu exemplo. Todo espírita submetido a grandes dores mantenha-se forte, cheio de calma, de amor ao Pai, de resignação e de submissão à Justiça Divina. E se às vezes a tentação o envolver, que se defenda com a prece, com o amor pelos que sofreram antes dele, não esquecendo jamais que por trás da dor suportada com alegria e calma virá a felicidade na vida eterna.

Do livro “O Tesouro dos Espíritas, Guia Prático para a Vida Espírita”, de Miguel Vives (1842-1906).


sábado, 5 de março de 2016

NOTA MENTAL IMPORTANTE: PENSAR DIFERENTE NÃO FAZ DE NINGUÉM SEU INIMIGO

Originalmente publicado no BLOG DO SAKAMOTO.


Política é bom e é sensacional que as pessoas estejam vivendo, fazendo e respirando política.

Mas achei por bem resgatar esta discussão porque a condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor na Polícia Federal inflamou as redes sociais, de um lado e de outro, gerando uma escalada de violência que começa a vazar para a rua e tem tudo para tornar mais turvas ainda as relações sociais neste período turbulento do país

Fazer política significa também estômago forte e alma tranquila, considerando que está em jogo a forma pela qual achamos que o país deve ser conduzido.

Ou seja, em tese, o seu interlocutor – seja ele um avatar estranho teclando loucamente em uma rede social ou o seu melhor amigo lançando perdigotos em um debate acalorado – não é seu inimigo.

Ele está no mesmo barco e, também em tese, compartilha com você um mesmo objetivo comum: uma vida melhor.

Enfim, manter um mínimo de civilidade é importante, como sempre lembro por aqui. Até porque o país continua depois que campanhas eleitorais terminam e que grandes investigações de corrupção são finalizadas. O mundo não começou ontem, muito menos acaba amanhã.

Há pessoas que parecem não aceitar serem questionadas. Talvez para afastar os medos e inseguranças sobre suas próprias crenças. E há outras que acham que exercer sua cidadania é xingar ou difamar alguém. Talvez porque aceitem tudo o que é dito a elas sem refletir ou fazer um exercício básico de lógica.

Acreditamos que nossos pontos de vista estão corretos. E defendemos eles de corpo e alma. Mas isso não os faz únicos. Uma outra pessoa pode defender que a forma mais correta de acabar com a fome, a violência, as guerras, a injustiça seja por outro caminho.

Já encontrei respostas para indagações pessoais em pessoas que escrevem sob um ponto de vista totalmente diferente do meu. E, creio, que o mesmo já aconteceu para muita gente.

Desse enfrentamento de ideias e de propostas sairá um vetor resultante que apontará para uma direção, dependendo da correlação de forças envolvidas, dos atores dedicados a isso, da aceitação dessas propostas pelo restante de uma sociedade. E não da vontade de um pequeno grupo.

Eu sei que é duro acreditar nisso neste momento. E, pior: com as redes sociais distribuindo granadas à população para que entre em uma guerra fratricida.

Mas vamos discutir os argumentos que embasam as diferentes posições e não chamar o outro de canalha ou burro, esquerdista idiota ou direita fascista, e travar por aí a discussão.

A saída para contrapor uma voz não é um xingamento, mas sim outra voz.

Discordo o que defendem vários colegas de profissão, mas não quero que eles sejam atacados.

Pelo contrário, desejo que se fortaleçam, bem como as vozes dissonantes a eles, de forma a contemplar devidamente o espectro ideológico, garantindo ponto e contraponto, peso e contrapeso à democracia.

Repetindo Voltaire, discordo, mas defendo o direito de que seja dito. Lembrando, contudo, que os discursos que incitarem a violência a terceiros, indo contra o que está determinado pela Constituição, terão que responder legalmente após serem ditos. 

Nunca antes, pois isso seria censura.

Muitos simplesmente repetem mantras que leem na internet, ouvem em bares ou veem na igreja, desde que concordem com aquilo, sem parar para pensar se aquilo é verdade ou não. Ou seja, desde que isso sirva na sua matriz de interpretação do mundo, retuita-se, compartilha-se, curte-se.

É um Fla-Flu, um nós contra eles cego, que utiliza técnica de desumanização, tornando esse outro uma coisa sem sentimentos.

É mais fácil pensar de forma binária, preto no branco, os de lá, os de cá. “Ah, mas você faz isso!'' Todos nós em alguma medida fazemos, infelizmente. Mas é como percebemos isso e atuamos para mudar nossas atitudes que realmente conta. Afinal, ninguém nasce pronto.

Pois, caso contrário, a vida vai ficando mais pobre, paramos de evoluir como humanidade. Do outro lado sempre estará um monstro e do lado de cá os santos. 

Isso sem contar a impossibilidade de apreciar tudo o que o outro tem de melhor – do ombro amigo à conversa inflamada em uma mesa de bar.

Sugiro que busquem a tolerância no diálogo, mesmo que firme e duro, e se perguntem, a todo o momento, se as informações que usam são confiáveis e fazem sentido, uma vez que nossa natureza não é de certezas e sim de dúvidas e falhas que só poderão ser melhor percebidas no tempo histórico.

sexta-feira, 4 de março de 2016

POLÍCIA FRANCESA PEDE QUE PAIS NÃO POSTEM FOTOS DOS FILHOS NO FACEBOOK

Publicado originalmente em HUFFPOST BRASIL


A polícia nacional da França fez um apelo para que pais "pensem duas vezes" antes de postarem fotos de seus filhos no Facebook.

De acordo com o The Verge, o argumento das autoridades é que a publicação de imagens dos pequenos pode pôr em perigo sua privacidade e sua segurança.

Um estudioso disse ainda que os pais podem ser processados pelos próprios filhos no futuro, por causa da violação de privacidade que divulgar imagens no Facebook representa. De acordo com o Independent, atualmente, as penas por violação de privacidade vão de uma multa de US$ 190 mil até um ano na cadeia.

O post, publicado em forma de advertência, veio após a repercussão do desafio da maternidade, onde mães se propõem a publicar três fotos que mostram o orgulho que têm de seus filhos. 

Além do risco da violação de privacidade, há também o risco de pedófilos se aproximarem das crianças por meio das redes.

O Facebook estuda criar uma ferramenta para alertar sobre as configurações de privacidade quando forem postadas fotos com crianças. 

O TENEBROSO MUNDO DAS "NOVAS" FESTAS INFANTIS

Por Laís Fontenelle, no site OUTRAS PALAVRAS

Bolo, balão, brigadeiro, amigos, familiares e parabéns. Onde encontramos todas essas coisas? Em festas de aniversário, especialmente nas de crianças, é claro! Infelizmente essa afirmação já não é tão óbvia assim nos dias atuais, quando as festas, nas classes médias e elites, ganharam espaços e formatos bem singulares – na maioria das vezes inadequados para os pequenos e massificados pelo mercado.

Sem tempo de preparar as festas dos filhos com a devida atenção os pais, hoje, acabam recorrendo a um mercado extremamente rentável de festas infantis customizadas que fazem tudo sob medida para o aniversariante. Os preços começam de aproximadamente R$ 2,5 mil e chegam até a espantosa soma de R$15 mil, segundo reportagem do ano passado.

Comecei a refletir sobre esse fenômeno no final dos anos 90, por ocasião do boom das festas em bufês. Nelas, a única coisa que remete ao aniversariante e à infância é, muitas vezes, o convite com a assinatura da própria criança. Ao chegar, você se depara com um baú onde deve “depositar o presente ao homenageado” – é esse o verbo usado pela recepcionista que fica na entrada. Depositar o presente, sem se esquecer de anotar seu nome no embrulho, para a criança saber, quando chegar em casa e abrir seu baú cheio de presentes, muitos repetidos, quem foi o “ coleguinha remetente”. Aquela delícia de dar o presente, escolhido a dedo ou feito com as próprias mãos; e de receber, desembrulhar e agradecer parece estar fora de moda.

A festa se desenrola, na maioria das vezes, em horário e com músicas, comidinhas ou brincadeiras nada adequadas à faixa etária convidada. No decorrer da comemoração, o pequeno aniversariante é estimulado, incansavelmente, por animadores que a todo momento nos fazem lembrar que hoje é o seu dia – e não do personagem famoso, geralmente licenciado, estampado nos quatro cantos do salão tentando roubar a cena das crianças.

A decoração em geral não foge ao padrão princesas para as meninas e super heróis para os meninos – como dita Walt Disney. Enquanto isso os pais, aqueles que conseguiram acompanhar seus filhos, ficam geralmente tomando uma bebidinha e jogando conversa fora, num merecido momento de descontração. Mas quem acompanha as crianças nas festas são, muitas vezes, as ditas folguistas – as babás de fim de semana –, que formam um séquito de branco de olhos atentos nos pequenos

No fim da festa, a criança geralmente volta para casa exausta com tantos estímulos sonoros, visuais e gustativos, e um saco cheio de presentes, com uma ressalva para as famílias que pedem doações para crianças carentes no lugar de presentes ao homenageado. Ainda assim, somos levados a questionar o que foi celebrado ali: as conquistas de mais um ano de vida entre amigos e familiares – ou o consumo?

É claro que os bufês infantis foram se modernizando e ganharam novos conceitos que acompanham as tendências das classes mais favorecidas, tais como alimentação mais light, sucos verdes, brigadeiros gourmet, brinquedos mais orgânicos, brindes inovadores e decoração ligada à natureza. Contudo, a essência consumista não mudou em nada e segue impregnada nesse rentável modelo de negócios.

Festas das elites

Mas isso não é tudo. O ano de 2011 marcou o início das festas sobre rodas. Meninas entre 6 e 11 anos, das elites de grandes centros urbanos, começaram a cobiçar festas que acontecem dentro de limusines locadas, geralmente cor de rosa. As mães das pequenas “noivas” alugam esses veículos pelo valor aproximado de dois mil reais para festejar mais um ano da vida de seus filhas, confinadas no trânsito de grande metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo – ao som ensurdecedor de celebridades mirins e ao sabor de doces e refrigerantes.


A festa pode esgotar-se ali mesmo – sem espaço para troca ou movimento –, mas muitas vezes prolonga-se com uma ida a um cabeleireiro ou spa infantil, onde as convidadas podem pintar as unhas, maquiar-se ou exibir penteados arrojados. Exercitam assim o consumismo, valores materialistas e a sexualidade precoce.

E os meninos, peças fundamentais no exercício da brincadeira, e amigos queridos da aniversariante? Ficam de fora, como manda o figurino e o sexismo – desde a mais tenra idade. O sucesso dessas festas foi tão grande que a moda se reinventou e hoje atinge o público adolescente e o adulto com as famosas Festbus, que acontecem dentro de ônibus – transformados num grande salão de festas com pista de dança itinerante.

Já no ano passado o maior hit das festas infantis foram as chamadas festas do pijama, antes reconhecidamente caseiras – quando um grupo seleto de amigos passava a noite na casa do aniversariante. Hoje, mercantilizadas e abocanhadas pelo mercado infantil, têm decoração personalizada, com brindes que podem ir de pijamas e cobertores até tendas ou sacos de dormir, feitos sob medida para os convidados. Estes, depois de passarem horas navegando individualmente em seus tablets, adormecem na casa do amigo e levam os “mimos” para casa.

O velho colchão de dobrar, guardado embaixo da cama ou em cima do armário da casa da vovó saiu de moda, assim como também ligar para mãe que está recebendo os amigos para saber como estão as crianças ou simplesmente agradecer o pernoite. A comunicação entre pais fica restrita a seus filhos via whatsapp, denunciando a perda do sentido de coletividade e comunidade. E quem entretém as crianças são geralmente animadores contratados, com atividades tipo guerra de travesseiro.

Em pouco tempo, este tipo de festa tornou-se a principal escolha de meninas entre 6 e 11 anos – como previu uma empresa carioca pioneira em festas para crianças que criou, inclusive, uma cartela de opções para o que chama de minisleep. Ideias para lá de “criativas” compõem o cardápio da empresa: festas de culinária, festas em sítios, focadas em futebol e onde mais sua imaginação e recursos financeiros puderem alcançar. Outra empresa focada nesse mercado inventa o que seu desejo mandar para a festa dos seus filhos, sem que você precise sequer sair de casa e desde, claro, que possa pagar por isso.

Vale dizer que até o singelo bolinho na escola ganhou novos contornos, estimulados pela própria instituição de ensino – que deveria ter o papel de fomentar outros valores e formas de homenagear o aniversariante. Hoje, o famoso “parabéns” em sala de aula pode ser acompanhado por uma roda de presentes, enviados pelas famílias para o “dono do dia”, que sai da escola com um saco de 15 presentes ou mais, sendo que, muitas vezes, nenhum tem a autoria do amigo. Presente feito coletivamente na escola, cantoria de músicas ou algo que o valha parecem valores esquecidos, numa sociedade que mercantilizou as datas comemorativas e tem ensinado às crianças que, para ser, é preciso ter.

Mudaram, portanto, os valores, e não apenas os locais das festas. O que é transmitido para as crianças quando seu aniversário é festejado dentro de salões de beleza ou limusines? O que elas vão querer na festa de quinze anos ou no dia do casamento? O que pensar de famílias que se endividam o ano inteiro para isso e que, quando a festa acaba, já querem saber da criança o que ela pretende ter na festa do ano que vem?”.

Cabe aos pais essa reflexão, numa tentativa de reinventar, criativamente, a comemoração do aniversário de seus filhos, de uma forma mais sustentável e que valha a pena rememorar no futuro. E, claro, às escolas cabe a reflexão sobre o lugar social que ocupam na vida dessas famílias – lugar que deveria ser de formação para cidadania e não de bufê infantil.

Mas, nem tudo está perdido. A tendência contrária são as comemorações ao ar livre, em parques, com a criançada correndo solta atrás da bola, entre as árvores. Foi reconfortante receber um convite da festa de aniversário do filho de amigos, feito pela própria criança. A comemoração foi no Jardim Botânico do Rio. Lá, tive a chance de entregar o presente na mão da criança e lanchar delícias feitas pelas tias e avós. Tudo muito original, com o lugar decorado por um grande mural de fotos dos momentos vividos no último ano pelo aniversariante e seus amigos, que ali estavam. No fim, o “dono do dia” carregava um saco não tão grande de presentes, mas um enorme sorriso no rosto. Ele pode partilhar, com pessoas importantes na sua vida, conquistas e atividades que ficarão na memória. E o brinde foi um cd, gravado pelo seu pai e ilustrado pelo irmão mais velho, com suas músicas preferidas. Isso, sim, merece ser festejado!

Laís Fontenelle Pereira, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-Rio e autora de livros infantis, é especialista no tema Criança, Consumo e Mídia. Ativista pelos direitos da criança frente às relações de consumo, é consultora do Instituto Alana, onde coordenou durante 6 anos as áreas de Educação e Pesquisa do Projeto Criança e Consumo.

quinta-feira, 3 de março de 2016

EVANGELHO PARA UMA NOVA CIÊNCIA

Físico quântico indiano Amit Goswami propõe a conciliação entre a Ciência e a espiritualidade, e contribui para validar conceitos da Psicologia como inconsciente

Por Marcelo Galli*

Publicado originalmente no Portal Ciência e Vida.

O físico quântico indiano Amit Goswami é referência mundial sobre a conciliação entre a "Ciência Dura", mais especificamente a Física Quântica, e a espiritualidade. A nova ciência que ele propõe, segundo o próprio, está ajudando a Psicologia a se desenvolver ao contribuir para a validação de conceitos usados internamente pela disciplina e que não têm lastro científico.

"Na Psicologia está uma das maiores aplicações dessa nova ciência", disse, em entrevista à Psique Ciência & Vida. "Pudemos desde o começo explicar a distinção entre consciência e inconsciência e isso deu um impulso para a Psicanálise, para as teorias de Jung, para a Psicologia de forma geral, e definitivamente para a Psicologia Transpessoal", explicou.

Na visão dele, que se tornou mundialmente conhecido ao participar e expor suas ideias no filme Quem Somos Nós?, de 2005, o Brasil é importante para o desenvolvimento do seu trabalho porque no País as emoções ainda são valorizadas, diferente de muitos países ocidentais, em que a racionalidade é superestimada e menospreza, tais quais as experiências pessoais e profundas como a intuição.  Segundo Amit, o não reconhecimento da emoção é barreira, por exemplo, para se lidar com as emoções negativas. "A economia montada no Ocidente, especialmente nos EUA, é um exemplo de como emoções negativas podem ser dispensáveis, como a ganância. Dessa maneira, fica claro que superestimar a racionalidade é um erro".

Formado em Física Quântica pela Universidade de Calcutá, Índia, Amit é professor emérito do Departamento de Física da Universidade de Oregon, EUA. No Brasil já publicou os seguintes livros pela editora Aleph: A Física da Alma, O Universo Autoconsciente, Criatividade Quântica, Deus Não Está Morto, Evolução criativa das espécies, Médico Quântico e a Janela visionária. O físico esteve recentemente no Brasil divulgando mais um trabalho, O Ativista Quântico, em que ele volta a se apoiar em princípios desse ramo da Física para apontar o potencial da consciência e mostra como essa nova perspectiva pode influenciar a mudança de valores da sociedade e ajudar as pessoas a viverem melhor.

Você acredita que a proposição do seu trabalho, ou seja, a união entre ciência e espiritualidade, seja a expressão de uma nova era que está por vir ou já está acontecendo?
Goswami: Sim, e eu também acredito que dessa vez será uma permanente união porque a Ciência agora é baseada em metafísica espiritual consciência é a base de todo ser graças à Física Quântica. Essa é uma era de integração em geral, especificamente entre a Ciência e a espiritualidade. Esse movimento já acontece em alguma medida, mas tanto na comunidade científica quanto na religiosa há muita inércia. O movimento é lento, mas está tomando forma, podemos esperar muitas mudanças nas próximas décadas.

Qual é o motivo dessa inércia?
Goswami: Existem muitos interesses ocultos. O ponto é que a Ciência teve problemas filosóficos, paradoxos, por décadas. Mesmo quando a Física Quântica apareceu, em 1925, naquela época as pessoas que eram filosoficamente orientadas souberam que a Ciência Clássica materialista não funcionava. Fomos adiante, resolvemos paradoxos, não há questão no espírito da Ciência que possa resistir, mas há muito dinheiro envolvido, as pessoas vivem disso. Demora um tempo para cederem, como a Igreja não cedeu sobre Galileu ou Newton e manteve sua posição por muito tempo. 

Algumas teorias do físico alemão Werner Heisenberg seguem a mesma direção das suas proposições, não?
Goswami: Ele foi o primeiro a sugerir que a consciência é importante na mudança de possibilidades quânticas na realidade. Ele disse que o colapso do evento, nome técnico para a mudança da possibilidade na realidade, é uma mudança do nosso conhecimento. O que é o nosso conhecimento? É o que chamamos de consciência, é saber. Ele estava consciente de que a nossa consciência envolve todas as possibilidades de mudanças na realidade. 

Qual é a explicação quântica para Deus?
Goswami: Na nova ciência, Deus é o agente causal. Interações materiais produzem possibilidades para (Deus) a consciência escolhê-las. A Física Quântica diz que Deus é uma questão científica porque a questão é se Deus tem poder causal. Nessa disciplina temos essas possibilidades quânticas que são previstas pela matemática, mas nossas possibilidades de mudança na realidade, por outro lado, não são previstas pela matemática. A questão que surge é como isso acontece, porque isso de fato acontece.
Em cada observação, em cada experimento, nunca vemos possibilidades, mas eventos nas nossas experiências. Essa é uma questão de Deus. Existe alguma outra causação além da causação material? Esse Deus não é um Deus da tradição religiosa popular, ele é baseado em teoria, em tradições filosóficas espirituais. Por que não admitir que existe uma tradição que essa nova ciência está redescobrindo? A cada momento temos fenômenos que não têm interações materiais, e isso pode ser identificado porque eles têm características de não sinal, não localidade, há uma descontinuidade. Qualquer causação que não é material pode ser chamada dessa maneira.

É uma questão de se acreditar?
Goswami: Não é fé, porque temos teoria e tecnologia para prová-la. É como a eletricidade, você não pode ver, mas está ali. Temos teorias, experimentos datados e tecnologia científica na base dessa nova ciência. Tecnologia que está curando pessoas, que nos dá uma nova fonte de energia que não a material e que pode ser economicamente usada, e que já é utilizada.

No mundo das humanidades, quem você acha que chegou perto de fazer essa ponte entre ciência e espiritualidade?
Goswami: O psicólogo Carl Jung chegou bem perto. Os psicólogos já propuseram essa metafísica espiritual para algumas práticas psicológicas, o que eles chamam de Psicologia Transpessoal. Eles estão em sincronia com a nova visão quântica. E também a medicina alternativa, mas o poder estabelecido impede que essas técnicas sejam ensinadas no ensino da Medicina tradicional. Porém, existem muitas instituições de medicina alternativa que ensinam no mundo todo e estão produzindo conteúdo. Biologia também vai responder às mudanças porque há fatos que o darwinismo não pode explicar.

Na Psicologia, como essa troca pode ajudar a explicar alguns fenômenos?
Goswami: Na Psicologia está uma das maiores aplicações dessa nova Ciência. Na Psicologia Transpessoal temos a metafísica, eles corretamente avançaram no sentido de considerar a consciência como a base do ser humano. Mas a metafísica não tem base científica no sentido que a Psicologia Transpessoal aborda. A Física Quântica está dando as bases científicas para essa disciplina. Sigmund Freud introduziu o conceito de 'inconsciente' e esse termo é usado amplamente em terapia, mas ainda não há bases científicas para comprová-lo. Em ciência materialista, a Psicanálise é denominada de psicologia vodu. Mas pudemos desde o começo explicar a distinção entre consciência e inconsciência, e isso deu um impulso para a Psicanálise, para as teorias de Jung, para a Psicologia de forma geral, e definitivamente para a Psicologia Transpessoal.

Como suas teorias contribuíram para o desenvolvimento de temas da Psicologia?
Goswami: A nova Ciência está me ajudando a integrar ramos e conceitos da Psicologia. Por exemplo, interno e externo, Psicologia Convencional e Psicologia Transpessoal. São coisas difíceis de fundamentar partindo puramente de um ponto de vista psicológico.

Como a cura quântica pode ajudar a Psicologia?
Goswami: Esse é outro exemplo de como conceitos da Física Quântica são cruciais para entender a relação de cura entre mente e corpo.

Quando escuto você falar em consciência coletiva penso sobre as chamadas mídias socias como Facebook e twitter. Você já analisou o fenômeno da mídia social à luz da sua teoria?
Goswami: No mínimo, seremos capazes de utilizar a conexão local para provocar a consciência não local, quando necessário. Essas mídias poderiam ter um componente de coletividade. A interconexão está crescendo em um senso local, mas no futuro seremos capazes de usar esse gatilho local para alcançar consciência não local. Estou estudando sobre o tema. Talvez, com essas comunidades, possamos inventar um tipo de conceito e com mais compreensão fazer nossas interações se tornarem reais e acessar consciência não local de um modo coletivo. A internet trouxe algumas esperanças, mas temos que saber como materializá-las.

Você sempre usa a palavra 'sutil' nas suas entrevistas e escritos. Existe uma falta de sutileza para entender o mundo?
Goswami: Não, eu quero dizer isso mais literalmente. As experiências sutis que temos são verdadeiramente sutis. Por exemplo, elas são privadas. Nossas experiências intuitivas são tão sutis que apenas temos tempo para fazer a representação mental delas quando somos conscientes delas. Temos três compartimentos das nossas experiências internas: sentimento, pensamento e intuição, esses três juntos formam o corpo sutil, e temos o corpo físico.

As teorias de William James sobre consciência influenciaram seu trabalho de alguma maneira?
Goswami: Eu não havia lido James até depois que eu escrevi O Universo Autoconsciente.

Conte um pouco sobre sua aproximação com o psiquiatra tcheco Stan Grof, um dos pioneiros da Psicologia Transpessoal.
Goswami: Fico muito feliz em contar que em uma conferência recente sobre Psicologia Transpessoal em Moscou, enquanto escutava as ideias dele mais uma vez, elas iluminaram em minha mente a maneira como integrar o trabalho dele à corrente principal da Psicologia. Estou escrevendo um artigo sobre o tema. Eu e ele temos algumas ideias paralelas, ele sempre foi muito receptivo em relação ao meu trabalho no sentido de que podemos integrar a Psicologia à Ciência, da maneira que estamos desenvolvendo. O trabalho dele está contribuindo para o desenvolvimento do ser humano porque a nova ciência jogou nova luz sobre a sua teoria. Experiências do tipo pré-natal e perinatal. Através dessas experiências é possível descobrir aspectos da viagem de reencarnação, e a nova Física pode validá-las. Esse é um aspecto interessante do trabalho de Grof.

Alguns estão rotulando a época em que vivemos com a "era da ansiedade". Qual é o estudo do "doutor quântico" ou do "psicólogo quântico" sobre esse fenômeno?
Goswami: Emoções negativas de maneira geral, não só a ansiedade, são o nosso maior problema. Minha solução é tentar fazer circuitos emocionais positivos em massa. De acordo com a nova teoria baseada na ideia do biólogo e pesquisador da telepatia, Rupert Sheldrake, de campos não locais morfogenéticos, esses circuitos podem ser herdados por toda a humanidade em poucas gerações.

Na sua visão, o que é a mente? Memórias, Sentimentos?
Goswami: 'Mente' é o nome que comumente as pessoas usam para o local onde se armazena nossas experiências internas. Memórias são mais do que o que é armazenado no cérebro. Existem componentes não locais disso que ajudam a explicar a reencarnação. E sentimento vem das nossas experiências de movimentos de energia vital. A nova Ciência distingue dois aspectos da mente. Um é a consciência, que é o grande terreno da existência onde matéria e mente existem. Dizemos que matéria é a experiência externa e a mente é a interna. Ao mesmo tempo, também reconhecemos que esse é o sentido geral do que seja a mente, mas também o específico do termo. Reconhecemos também que a mente mais amplamente pode ser classificada em três aspectos.
Um deles é como energia, chamado de energia vital. Depois vem o que podemos chamar de pequena mente, que é pensamento, sentido. E a terceira pode ser chamada de supramental porque é dada no contexto do pensamento, é a ideia de onde nossos valores vêm, de onde intuímos. Só acessamos a região supramental por meio da intuição, ou seja, temos uma intuição e fazemos a representação dela em pensamento. É melhor se fizermos essa distinção.

Como o Brasil e a sua cultura podem contribuir para o desenvolvimento do seu trabalho?
Goswami: Bastante. Em 1996, quando eu apresentei pela primeira vez meu trabalho para o público brasileiro, a resposta emocional realmente me tocou e soube que o País é importante para o meu trabalho. Estamos realmente indo adiante com o movimento do ativismo quântico no Brasil, que é um país único atualmente, muito parecido com a Índia de alguma maneira, porque as emoções ainda são valorizadas no Brasil. Um dos grandes problemas dos países ocidentais é de serem muito racionais.
Quando uma sociedade se torna muito racional ela não valoriza sentimento e também intuição. Não reconhecendo a emoção, não podemos lidar com as emoções negativas. Ninguém pode evitar emoções negativas porque são instintivas, nós as seguimos sem sabê-lo. Apesar da racionalidade do ocidente, a violência continua. Por quê? Somos guiados pelas emoções. A economia montada no ocidente, especialmente nos EUA, é um exemplo de como emoções negativas podem ser dispensáveis, como a ganância... Dessa maneira, fica claro que superestimar a racionalidade é um erro.

Um certo declínio dos valores ocidentais, reflexo da crise econômica de 2008, poderá fazer com que seu trabalho seja mais conhecido?
Goswami: Sim. As condições da crise estão só piorando até que nós mudemos nossa visão de mundo do materialismo científico para o idealismo monista. Repito, consciência é a base de todo ser humano.

Ainda sobre a crise econômica. A desorientação das finanças mundiais contribuiu para a mudança de modelos e padrões?
Goswami: Os modelos não foram trocados ainda, mas sim a consciência de que o capitalismo, como está estabelecido, próximo do modelo de filosofia do cientificismo materialista, não funciona, falhou. Esse capitalismo não é mais o original proposto por Adam Smith. Esse sistema é caracterizado por algumas ideias da Ciência materialista, como transformar a Economia em matemática. É uma péssima ideia, você nunca pode precisar o porquê da decisão de uma pessoa em comprar um produto. É completamente irracional fundamentar isso por meio da matemática. Esses são alguns erros que devem ser corrigidos. Eu já propus a Economia Espiritual, e gostaria de contribuir para solucionar o problema.

E como funcionaria essa nova modalidade de capitalismo?
Goswami: A ideia é simples. Há muito tempo eu reconheci que as necessidades dos seres humanos são mais do que materiais. Esse capitalismo atual foi estabelecido para satisfazer as necessidades materiais. Precisamos estender esse sistema para incluir como valores, necessidades mais elevadas, energia vital, necessidades de sentido mental, e até necessidades intuitivas. Quando fazemos isso estamos espiritualizando a Economia.

Tendo em vista as teorias defendidas por você, seria possível um Amit Goswami ter aparecido num país ocidental? Digo isso por causa da tradição espiritual do seu país de origem.
Goswami: Acredito que cedo ou tarde alguém descobriria a base espiritual da Ciência. As coisas estão mudando, o oriente está ficando mais materialista e o ocidente mais espiritual. O sempre acreditou em intuição. Espiritualidade aparece através da intuição, e sempre acreditamos [os orientais] na intuição, porque experiências intuitivas dão crédito aos experimentos. Nunca tivemos problemas com a espiritualidade. O ocidente, por outro lado, sempre foi cético em relação a esse tipo de experiência. O que satisfaz a mente ocidental é a possibilidade de provar uma teoria por meio de um experimento.
O ocidente foi cético sobre a espiritualidade até agora porque ela não pode ser certificada por meio de testes. Mas agora as teorias sobre Deus e espiritualidade são verificáveis e podem ser desenvolvidas tecnologias a partir dessa base.

Qual foi a sua maior dificuldade para dar o passo na direção do pensamento de caráter espiritual, já que você era materialista?
Goswami: Minha grande dificuldade foi abandonar a crença materialista de que a consciência é um fenômeno do cérebro.

Qual foi o motivo da sua mudança para uma abordagem mais espiritual?
Goswami: Minha visão de mundo foi totalmente invertida em um salto quântico de criatividade. Fui materialista por muito tempo. Estava dando uma conferência sobre Física Nuclear e não sentia que estava fazendo um bom trabalho, as outras apresentações eram melhores do que a minha, eu estava insatisfeito com o meu desempenho e sentia inveja da performance dos outros. Aquela energia foi esmagadora. Percebi que tinha uma desconexão entre o jeito em que eu vivia e o jeito que ganhava a vida. Eu quis reintegrar a minha vida. Fui procurar e descobri afortunadamente a nova metafísica para fazer Ciência.

O que você diria para um cético que, apesar de ter lido toda esta entrevista, não acredita nas suas teorias?
Goswami: Eu diria: "Por que você está escolhendo ser não científico? Quando há dados e teoria, não é mais discutível. É enfrentá-lo e aceitá-lo. Você só vai estar mais integrado e será mais feliz por causa disso".

*Marcelo Galli é jornalista e colabora com esta publicação.