Introdução

Há muito o que ser aprendido. Há muito o que podemos extrair do que vemos, tocamos, ouvimos, e acima de tudo, sentimos. Nossa sabedoria vem dos retalhos que vamos colhendo ao longo de nossa evolução, que os leva a formar a colcha que somos. Esse espaço é para que eu possa compartilhar das luzes que formam o que Eu tenho sido!!!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

NÃO TROPECEMOS

“Jesus respondeu: Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo.” — (JOÃO, CAPÍTULO 11, VERSÍCULO 9.)

O conteúdo da interrogativa do Mestre tem vasta significação para os discípulos da atualidade.

“Não há doze horas no dia?”

Conscientemente, cada qual deveria inquirir de si mesmo em que estará aplicando tão grande cabedal de tempo.

Fala-se com ênfase do problema de desempregados na época moderna. Entretanto, qualquer crise nesse sentido não resulta da carência de trabalho e, sim, da ausência de boa-vontade individual.

Um inquérito minucioso nesse particular revelaria a realidade. Muita gente permanece sem atividade por revolta contra o gênero de serviço que lhe é oferecido ou por inconformação, em face dos salários.

Sobrevém, de imediato, o desequilíbrio.

A ociosidade dos trabalhadores provoca a vigilância dos mordomos e as leis transitórias do mundo refletem animosidade e desconfiança.

Se os braços estacionam, as oficinas adormecem. Ocorre o mesmo nas esferas de ação espiritual. Quantos aprendizes abandonam seus postos, ale-gando angústia de tempo? Quantos não se transferem para a zona da preguiça, porque aconteceu isso ou aquilo, em pleno desacordo com os princípios superiores que abraça?

E, por bagatelas, grande número de servidores vigorosos procuram a retaguarda cheia de sombras.

Mas aquele que conserva acuidade auditiva ainda escuta com proveito a palavra do Senhor:

- Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia não tropeça.

Francisco Cândido Xavier pelo espírito Emmanuel, 
no livro "Pão Nosso", capítulo 153.





Para fazer o download da apresentação utilizada no Estudo de Obras de Emmanuel, que ocorre todas as terças feiras no Centro Espírita Casimiro Cunha às 19:00 horas, basta clicar A.Q.U.I.



segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

FORMAS PENSAMENTO

No complexo capítulo das obsessões avulta uma ocorrência grave, que passa, não raro, despercebida de alguns estudiosos dessa grave psicopatologia espiritual.

Desejamos referir-nos às perturbações denominadas como formas pensamento.

Em sua realidade estrutural, o pensamento é neutro, canalizando a força de que se constitui conforme o direcionamento que lhe seja dado.

Conseguindo plasmar as ideias que assumem expressões transitórias, aureola-se de energias saudáveis, quando cultiva o amor, as aspirações de enobrecimento, o Bem.

Da mesma forma, reveste-se de miasmas que configuram expressões angustiantes, tormentosas.

O pensamento é energia dinâmica em contínua movimentação.

Irradiação dos equipamentos mentais executa ações que se tornam somatizadas pelo organismo, tanto para o equilíbrio quanto para a desordem emocional e celular, abrindo espaço, nesse último caso, para a instalação de muitas enfermidades.

Orientado de forma saudável, atua no seu campo vibratório de maneira compensadora, qual ocorre nos casos das autoterapias pela oração, meditação, visualização ou através dos medicamentos placebos que, absorvidos em clima de confiança, produzem efeitos maravilhosos.

Igualmente, em face da evocação de acontecimentos passados ou da captação visual, auditiva e olfativa de alguma coisa, conduz a memória aos momentos já vividos em torno daquelas ocorrências ou produz reações orgânicas nos aparelhos digestivo, sexual, nervoso...

Em razão da tendência comum a muitas criaturas para o cultivo de ideias deprimentes, vulgares, agressivas, o pensamento constrói paisagens terrificantes pela sordidez, pela qualidade inferior, nas quais o indivíduo fica submerso, respirando o bafio pestilencial que organiza a paisagem infeliz.

Semelhantemente, a construção mental de formas sensuais, hediondas, vingadoras, adquire plasticidade e vida, tornando-se parte integrante da psicosfera do seu autor.

À medida que se concretizam, na razão direta em que são vitalizadas, essas construções passam a agir sobre o paciente, causando-lhe conflitos muito desgastantes.

Essas imagens vivas adquirem identidade e espontaneidade, agredindo e ultrajando aquele que as estimula e mantém.

Quando em parcial desprendimento pelo sono, torna-se vitimado pela multidão que o envolve, encarcerando-o em estreito círculo de viciações nas quais se compraz.

Alimentando-se dos vibriões mentais — aspirações perniciosas que o pensamento elege - parecem seres reais ameaçadores que exaurem a fonte na qual se originam.

Estimulados e direcionados por afinidades morais inferiores de Espíritos perversos, zombeteiros ou vulgares, transformam-se em processos obsessivos que assumem carácter de crescente gravidade.

Aqueles que se permitem fixações mentais viciosas, malfazejas, invejosas, sem que se deem conta, transformam-se nas primeiras vítimas da ocorrência nefasta, retendo-se nas faixas primitivas onde se homiziam as forças da perversidade e do primarismo.

São comuns esses fenômenos de auto-obsessão entre as criaturas humanas por cultivarem pensamentos negativos e insensatos que os aprisionam nas malhas fortes das próprias ondas mentais enfermiças.

Diante das injunções de tal natureza, como de outras, o valioso recurso da oração é terapia poderosa que desagrega essas energias mórbidas e propicia aragem mental salutar para novas e superiores formulações, que passarão a envolver o paciente, restaurando-lhe o equilíbrio.

Especialmente antes do repouso pelo sono diário, a vigilância mental se torna de alta importância, a fim de que as propostas enobrecidas do pensamento induzam o espírito a viajar às regiões ditosas de onde retornará renovado, edificado e predisposto à conduta correta.

Na raiz de qualquer transtorno obsessivo sempre se encontra presente a inferioridade moral do paciente, cuja irradiação vibratória propicia o campo hábil para as conexões e fixações perturbadoras.

Desse modo, ao lado da oração é indispensável a renovação interior para melhor, conduzindo à ação caridosa, dignificadora, responsável pelo crescimento espiritual do ser.

Sem olvidar-se o estudo do Espiritismo, que é o mais completo tratado de psicoterapia que se encontra à disposição, aquele que deseja uma existência saudável deve iniciar o esforço pelo conseguir, pensando na forma correta, otimista, confiante, para viver em paz construindo a sociedade harmônica, parte integrante do anseio de todos os homens e mulheres de Bem.

Divaldo Pereira Franco pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda 
no livro "Mediunidade: desafios e bênçãos", capítulo 4.



Para fazer download da apresentação utilizada no curso de educação mediúnica do Centro Espírita Casimiro Cunha basta clicar A.Q.U.I. E para ouvir o texto basta clicar abaixo. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

ARROGÂNCIA COMPETITIVA

“Médiuns invejosos: os que veem com despeito os outros médiuns, melhor apreciados e que lhes são superiores.” 

(O Livro dos Médiuns – 2ª parte – Capítulo XVI – Item 196 - § 13)


Aquilo que sentimos diante de qualquer situação ou pessoa reflete totalmente sobre nossa historia de vida, quer dizer, de nossas experiências passadas (desta ou de outras vidas), de nossa busca presente e de nosso futuro. Compreender nossos sentimentos é entender as raízes de nossas reações perante o mundo que nos rodeia.

Nossos sentimentos podem nos mostrar sobre nós mesmos. Não podemos nos intimidar diante deles, mas simplesmente deixá-los fluir. Qualquer julgamento precipitado ou preconcebido a respeito deles distorcerá o que eles querem nos dizer ou mostrar.

Nossas emoções por si sós, não podem ser consideradas meios de confirmação ou de demonstração para dizer quem somos, ou mesmo, para provar nosso real valor. Não é porque temos eventuais crises de inveja que devemos ser considerados indivíduos “maus”; da mesma forma, quando cultivamos sentimentos esporádicos de generosidade, também não podemos ser chamados de “pessoas bondosas”.

Sentir alguma coisa não quer dizer que vamos manifestá-la ou colocá-la em prática; significa que, quando nós nos permitimos “sentir”, conseguiremos gradativamente compreender a nós mesmos e, assim, iniciar a nossa transformação íntima. 

Conhecer os verdadeiros motivos de tudo aquilo que impulsiona as nossas ações nos permitirá dirigir nossos sentimentos, fazendo o que nos parece ser direito e tomando decisões importantes para nosso crescimento interior. Em realidade, a causa de tudo está dentro e não fora de nós. 

As pessoas que não percebem claramente os sentimentos que antecedem suas atitudes com clareza estão presas em recantos escuros de sua casa mental, onde forças imperceptíveis e envolventes – fora de seu comando – deturpam sua percepção das situações e das pessoas. Os indivíduos, ao invés de rejeitar seus sentidos, deveriam usá-los como guias para interpretar sua vida interior. Eles definem e iluminam nossa compreensão em contato com a esfera física e a astral. São nossos aliados, e não inimigos.

Os sentidos que não se comunicam com os próprios sentimentos costumam não se comunicar também, de maneira adequada, com os dos outros. “Médiuns invejosos: os que veem com despeito ou outros médiuns, melhor apreciados e que lhe são superiores”. O sentimento de inveja é uma forma (quase sempre inconsciente) que a inferioridade encontra de homenagear os que possuem merecimento.

A inveja de originalidade acarreta uma imitação incessante – assim como o desejo de copiar a espontaneidade dos indivíduos criativos. Seria interessante perguntarmos a nós mesmos o porquê desse comportamento invejoso. Onde está tudo isso em nós? Poderemos encontrar a própria intimidade a verdadeira razão da “atitude de rivalidade ou despeito”, que, em muitas ocasiões, é vista como uma antipatia gratuita.  Poderíamos dizer que o invejoso procura apaziguar seu inimigo interno, difamando ou maldizendo os outros. É como se ele pensasse de si para consigo: “preciso tomar uma postura acusadora para não ter problema de autoacusação”.

A hostilização dos invejosos para com os outros perpetua a situação do desconhecimento de si mesmos, o que, por sua vez, os mantém num falso pedestal de “seres geniais”.

Embora certos médiuns estejam fervilhando na baixa autoestima e na frustração, ainda continuam se posicionando num “sentimento de superioridade”, para conquistar o mundo exterior. Eles se consideram “pessoas muito especiais” e se utilizam de conversas interessantes e de uma enorme capacidade imaginativa para desvendar vidas passadas, reencontros e desencontros reencarnatórios, missões sublimadas e outras tantas revelações, passam a sublimar, de forma engenhosa, a tarefa mediúnica de outros médiuns, sem que ninguém perceba a “arrogância competitiva” que eles nutrem em seu mundo íntimo.

De modo geral, no exercício da mediunidade, os indivíduos registram e transmitem mensagens de entidades infelizes que se ligam em seus pontos fracos, razão pela qual os médiuns ativos estão constantemente fazendo um trabalho de autodesobsessão. Por outro lado, os sensitivos que entram em contato consigo mesmos – ouvindo seus sentimentos e prestando atenção em suas emoções – transmitem orientações esclarecedoras, faladas ou criticas, porque estão sabiamente iluminados em suas experiências de autoconhecimento pelas esferas superiores da Vida Excelsa. Médiuns que não sabem de onde derivam seus pensamentos, atos e atitudes, não possuem uma real consciência do processo mediúnico e das forças espirituais que os envolvem.

Nem sempre quem possui um vasto conhecimento doutrinário e uma excelente memória tem noção exata do significado profundo de seus sentimentos, atos e atitudes. Às vezes as pessoas utilizavam simplesmente seu intelecto e racionalizam as mais óbvias percepções que emergem de seu mundo íntimo, afastando dessa forma, a compreensão real delas mesmas e do que os Espíritos (encarnados ou não) sentem e querem dizer.  A Ignorância de nós mesmos nos leva a uma multiplicidade de comportamentos e, por consequência, a um emaranhado de “eus” desconexos. Quando não sabemos o que somos e como somos, desconhecemos nossos traços de caráter – lealdade, coragem, talento e habilidade para criar e amar. E, em virtude disso, envolve-nos uma “sensação de insignificância”, que provoca a frustração, cria a inveja e leva à hostilidade.

Nossos “sentimentos inadequados” têm muito a nos ensinar. A conduta invejosa pode nos ser muito útil ou benéfica, se soubermos transformá-la em uma atitude oposta – admiração. Ela nos oferece oportunidade marcante para o crescimento interior e uma vida madura. Recordemos que os equívocos do passado podem se transformar nas virtudes do presente e, se estamos falhando hoje, amanhã, provavelmente, acertaremos.

Francisco do Espírito Santo Neto pelo espírito Hammed, 
no livro "A imensidão dos sentidos". 


Faça o download da apresentação utilizada para reflexão desse texto no curso de Educação Mediúnica do Centro Espírita Casimiro Cunha clicando A.Q.U.I.

NATAL

"Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa-vontade para com os homens." - (Lucas, 2, 14)

As legiões angélicas, junto à Manjedoura, anunciando o Grande Renovador, não apresentaram qualquer palavra de violência.

Glória a Deus no Universo Divino.

Paz na Terra.

Boa-vontade para com os Homens.

O Pai Supremo, legando a nova era de segurança e tranqüilidade ao mundo, não declarava o Embaixador Celeste investido de poderes para ferir ou destruir.

Nem castigo ao rico avarento.

Nem punição ao pobre desesperado.

Nem desprezo aos fracos.

Nem condenação aos pecadores.

Nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso.

Nem anátema contra o gentio inconsciente.

Derramava-se o Tesouro Divino, pelas mãos de Jesus, para o serviço da Boa-Vontade.

A justiça do “olho por olho” e do “dente por dente” encontrara, enfim, o Amor disposto à sublime renúncia até à cruz.

Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na estrebaria, assinalaram júbilo inexprimível ...

Daquele inolvidável momento em diante a Terra se renovaria.

O algoz seria digno de piedade.

O inimigo converter-se-ia em irmão transviado.

O criminoso passaria à condição de doente.

Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos. Em Sídon, os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela crueldade dos senhores. Em Jerusalém, os enfermos não mais seriam relegados ao abandono nos vales de imundície.

Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a, transitou vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento.

Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos, recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros.

Natal! Boa Nova! Boa-Vontade!

Estendamos a simpatia para com todos e comecemos a viver realmente com Jesus, sob os esplendores de um novo dia.

Francisco Cândido Xavier pelo espírito Emmanuel 
no livro "Fonte Viva".


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

AS BÊNÇÃOS DA ALEGRIA


Quando o ser humano deixa de cumprir com os deveres que lhe dizem respeito e que são os instrumentos eficientes para o seu crescimento espiritual, é sempre dominado pela tristeza que deflui da culpa, do arrependimento, do tempo malbaratado na ilusão.

A insaciável busca do prazer termina por perturbar-lhe o discernimento, anestesiando-lhe a razão que obnubila, levando-o à solidão e à depressão. 

De igual maneira, quando se comporta estribado no egoísmo, sempre preocupado com os seus interesses, mantendo distância emocional e física da solidariedade, a ingratidão é-lhe característica definidora do caráter relapso, por ignorar todas as bênçãos de que se faz devedor em relação à vida e a todos os valores que lhe assinalam a existência. 

Pode-se compará-lo ao filho ingrato da parábola, que solicitou ao pai generoso fosse-lhe concedida a parte a que tinha direito na herança, porque queria ver-se livre da presença bondosa do idoso genitor, que por ele velava. 

Soberbo e inexperiente, recebeu os bens valiosos e partiu para o gozo exaustivo em um país distante, entregando-se à insensatez e à devassidão. 

Cercado de amigos do mesmo quilate, insensíveis e exploradores, gastou tudo quanto possuía com rapidez, porquanto, não sabendo precatar-se contra a injunção do abuso, logo foi surpreendido pela escassez, exatamente num momento em que a região passava por terrível conjuntura econômica defluente da seca em predomínio...

Abandonado, porque aqueles que o cercavam estavam interessados nas suas posses e não nele como pessoa, não teve outra alternativa exceto a de buscar um trabalho.

Desabituado com os labores que dignificam, vitimado pela ociosidade a que se entregava no comportamento fútil, nada sabia fazer, nem mesmo havia possibilidade de encontrar um serviço digno, e buscando-o com um antigo comensal do seu lar, foi encaminhado a uma pocilga...

Ali, na condição ínfima de um ser desprezível, por haver desonrado o pai que o amava e desconsiderado a tradição religiosa que abominava os suínos, por serem imundos, perdeu toda a falsa alegria a que se entregava, mergulhando em abissal amargura.

Reflexionando, porém, que lhe faltava o alimento mais grosseiro que os porcos disputavam, lembrou-se do lar generoso e do genitor afável que cuidava dos servos com justiça e bondade, tomando a resolução de retornar...

Ante o pensamento nobre, a alegria assomou-lhe à mente e o coração disparou de emoções diferentes.

Caindo em si, nessa maravilhosa viagem de reflexão profunda e de autodescoberta, não tergiversou, e empreendeu a marcha de retorno ao lar.

Do anterior jovem risonho e bem vestido, estuante de saúde e de presunção, restavam-lhe pouco, porém enriquecido de humildade e de esperança renovou-se e viajou de retorno ao lar formoso.

Ao vê-lo, a distância, o pai devotado, que sempre o esperara, pois que sabia da sua volta inevitável, correu-lhe ao encontro, abraçou-o com alegria e tomou providências para que lhe fosse restituída a dignidade que abandonara.

Sequer lhe permitiu nenhuma justificativa. Não o tendo impedido de ir-se, sofrendo em silêncio a ingratidão do jovem, nada lhe disse em reproche pelo seu retorno, porque a alegria do reencontro estava acima de quaisquer outros sentimentos de censura ou cobrança. 

O amor nada exige e sempre se irradia em bênçãos de alegria. 



A mensagem de Jesus é toda feita de alegria.

Ele pode ser chamado como o desbravador do país dos júbilos, oferecendo largamente os tesouros do amor de Deus aos tristonhos viandantes da Terra.

Francisco de Assis, ao segui-lo, passou a ser cognominado como Irmão Alegria, Cancioneiro de Deus.

Isto porque o evangelho, que é a boa nova de alegria do reino, é todo uma formulação poética de felicidade, ensinando a maneira segura de vencer-se o abismo da ignorância, saindo-se da treva para a luz, em contínua renovação interior sob as bênçãos da alegria.

Podem defini-la aqueles que eram desdenhados, expulsos do convívio social hipócrita e rigoroso do seu tempo, porque pobres, homens da terra, equivocados de vários matizes pelos pecados cometidos e pelas transgressões aos injustos estatutos legislativos eram recebidos por ele, que compartilhava das suas aflições e falava-lhes de esperança e de igualdade, após o arrependimento dos seus erros e a mudança de atitude em relação à vida.

Acolheu-os a todos que se lhe acercaram, ensejando-lhes a perfeita compreensão da valorização das horas e do significado existencial, da oportunidade que fruíam de poder ser felizes, embora a situação humilhante que vivenciavam. 

Nunca se envergonhou de conviver com eles, os infelizes, de conceder-lhes a orientação renovadora, o acesso à verdade, de compartilhar o pão e a amizade, produzindo uma incomum revolução dos costumes vigentes, atitude essa que lhe exigiu a doação da vida no madeiro infamante da cruz, que dignificou...

Jesus é o exemplo mais elevado que se conhece do amor e da alegria de viver, tendo conseguido desmistificar o Deus dos Exércitos, apresentando-O como o Pai todo amor e misericórdia, que, se rejubila quando um excluído se renova e reabilita-se, estando perdido e sendo encontrado pela sua ternura.

Esse Pai, a que ele se refere em toda a sua mensagem, é o mais extraordinário exemplo de progenitura de que se tem notícia.

Jamais censura ou pune, nunca exige ou atormenta, concedendo sempre oportunidades de refazimento àquele que se compromete com as divinas leis, esperando compassivamente a sua identificação com a verdade.

Seja qual for a situação em que se encontre a ovelha desgarrada ou a dracma perdida, ao serem encontradas, proporcionam júbilo incomum e abrem espaço para uma festa de largo porte, porque estão novamente onde devem permanecer. 

O seu perdão é feito de reconciliação e de afetividade, ensejando o crescimento moral do réprobo que O deixou de lado, quando ainda iludido pelas paixões dissolventes optou pela ilusão em detrimento da responsabilidade e do dever.

Jamais se enfastia e sempre espera com incomum generosidade porque o Seu é o amor incondicional perfeito.

Quando se compreende o ensinamento do Mestre a respeito desse sublime amor, a alegria toma conta do coração e o ser humano todo exulta, modificando as estruturas do seu pensamento e da sua conduta.

Retorno, pois, ao lar paterno é a proposta da bênção da alegria, após a deserção e o abandono do compromisso de trabalho e edificação espiritual que a todos compete.

Somente assim será possível a experiência libertadora da alegria que proporciona saúde e paz.



Se a amargura ou o desânimo, ou ambos, toma conta dos teus sentimentos, se o desconforto moral assinala as tuas horas, se a melancolia e o ressentimento assenhoreiam-se das tuas emoções, se o pessimismo e a desconfiança estão na tua conduta, procura Jesus quanto antes e reconcilia-te com a consciência.

Refaze o caminho percorrido e retorna ao seu aconchego, deixando a pocilga em que te encontras, refazendo as experiências, a fim de que ele te receba nos braços e afogue-te em ternura, libertando-te das algemas perversas do engodo, facultando-te a bênção da alegria plena.

Busca-o hoje ainda, sem postergações, porque talvez amanhã seja tarde demais...

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Divaldo Pereira Franco pelo espírito Joanna de Ângelis 
no livro "Entrega-te a Deus", capítulo 27.





quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A RAZÃO DE SER DO HOMEM DE MARX

[...] lembra com propriedade o Dr. Humberto Mariotti, o homem de Marx, embora concebido como um mero composto físico-químico, como um organismo material governado e conduzido pelos modos de produção, revela-se já melhor do que o "homem velho", dependente da exploração capitalista e forçado a vender sua força de trabalho como mercadoria. O homem de Marx, teoricamente, é um ser liberado da exploração econômica, mas cumpre se lhe aditem as virtudes de que ainda carece: é um homem insuficiente, porque sem perspectivas metafísicas e amesquinhado em suas dimensões espirituais, incapaz de satisfazer o anelo de imortalidade que o espírito humano alimenta em suas entranhas. Marx exigiu mais desse homem do que lhe podia ofertar: esqueceu que um homem chamado a promover a transformação do velho mundo e convulsionar a sociedade decadente, a construir o mundo do futuro, não devia morrer. O homem de Marx, que termina na morte e no nada depois de se haver sacrificado pela ereção de uma civilização mais humana e mais justa, não tem quaisquer vinculações palingenésica com o processo histórico: nasce e morre desconhecendo o sentido da luta e a finalidade de sua existência. O desejo de emancipar o homem da escravidão econômica, a fim de alçá-lo à condição de cidadão livre e enobrecido pela nova ética do trabalho, levou Marx a bosquejar um homem sem implicações com o espiritual e o eterno. Crendo que o espírito representava um entrave para o advento de uma sociedade sem classes, porque tanto o filósofo idealista quanto o religioso sufocavam as reivindicações dos oprimidos ao falar-lhes de uma hipotética felicidade ultraterrena, com o que legitimavam a indiferença e o egoísmo dos opressores, o autor de "O Capital" preferiu matar o homem espiritual e suas poéticas esperanças de recompensa no mais-além, atendo-se tão-somente à realidade das coisas objetivas, e concebeu um homem material, cujo destino não ultrapassa sua morte física. Marx acreditava que a verdade jamais submete o homem, antes o eleva e melhora suas condições de vida social, e sentiu que o tipo de verdade espiritual que pregavam os teóricos do Cristianismo, pelo menos ate meados do século XIX, era o que convinha à exaltação dos potentados sobre as agruras dos humildes. Rechaçou, portanto, essa verdade espiritual sancionada pela estrutura social vigente e chegou à conclusão de que a única realidade se encontra no mundo físico e na vida material do homem, sustentando que a ciência e a verdade libertam o indivíduo e que toda ideia religiosa, tendente a sujeitá-lo com vãs promessas pós-mortais, é uma falsa verdade, ou um argumento das forças reacionárias para deter o advento da justiça social e da democracia. Todavia, se o homem de Marx – assim justificado – é um erro em seu aspecto espiritual, é não obstante uma verdade em sua face social: o gênio de Marx demonstrou à inteligência humana que o socialismo, ou o regime da propriedade coletiva dos meios de produção, é o que melhor atende aos anseios de liberdade e justiça da nova humanidade.





Jacob Holzmann Netto, no livro "Espiritismo e Marxismo", 
capítulo IV.






terça-feira, 13 de dezembro de 2016

OS SUPERIORES E OS INFERIORES


A autoridade, tanto quanto a riqueza, é uma delegação de que terá de prestar contas aquele que se ache dela investido. Não julgueis que lhe seja ela conferida para lhe proporcionar o vão prazer de mandar; nem, conforme o supõe a maioria dos potentados da Terra, como um direito, uma propriedade. Deus, aliás, lhes prova constantemente que não é nem uma nem outra coisa, pois que deles a retira quando lhe apraz. Se fosse um privilégio inerente às suas personalidades, seria inalienável. A ninguém cabe dizer que uma coisa lhe pertence, quando lhe pode ser tirada sem seu consentimento. Deus confere a autoridade a título de missão, ou de prova, quando lhe convém, e a retira quando julga conveniente.

Quem quer que seja depositário de autoridade, seja qual for a sua extensão, desde a do senhor sobre o seu servo, até a do soberano sobre o seu povo, não deve olvidar que tem almas a seu cargo; que responderá pela boa ou má diretriz que dê aos seus subordinados e que sobre ele recairão as faltas que estes cometam, os vícios a que sejam arrastados em conseqüência dessa diretriz ou dos maus exemplos, do mesmo modo que colherá os frutos da solicitude que empregar para os conduzir ao bem. Todo homem tem na Terra uma missão, grande ou pequena; qualquer que ela seja, sempre lhe é dada para o bem; falseá-la em seu princípio é, pois, falir ao seu desempenho.

Assim como pergunta ao rico: “Que fizeste da riqueza que nas tuas mãos devera ser um manancial a espalhar a fecundidade ao teu derredor”, também Deus inquirirá daquele que disponha de alguma autoridade: “Que uso fizeste dessa autoridade? Que males evitaste? Que progresso facultaste? Se te dei subordinados, não foi para que os fizesses escravos da tua vontade, nem instrumentos dóceis aos teus caprichos ou à tua cupidez; fiz-te forte e confiei-te os que eram fracos, para que os amparasses e ajudasses a subir ao meu seio.”

O superior, que se ache compenetrado das palavras do Cristo, a nenhum despreza dos que lhe estejam submetidos, porque sabe que as distinções sociais não prevalecem às vistas de Deus. Ensina-lhe o Espiritismo que, se eles hoje lhe obedecem, talvez já lhe tenham dado ordens, ou poderão dar-lhas mais tarde, e que ele então será tratado conforme os haja tratado, quando sobre eles exercia autoridade.

Mas, se o superior tem deveres a cumprir, o inferior, de seu lado, também os tem e não menos sagrados. Se for espírita, sua consciência ainda mais imperiosamente lhe dirá que não pode considerar-se dispensado de cumpri-los, nem mesmo quando o seu chefe deixe de dar cumprimento aos que lhe correm, porquanto sabe muito bem não ser lícito retribuir o mal com o mal e que as faltas de uns não justificam as de outrem. Se a sua posição lhe acarreta sofrimentos, reconhecerá que sem dúvida os mereceu, porque, provavelmente, abusou outrora da autoridade que tinha, cabendo-lhe, portanto, experimentar a seu turno o que fizera sofressem os outros. Se se vê forçado a suportar essa posição, por não encontrar outra melhor, o Espiritismo lhe ensina a resignar-se, como constituindo isso uma prova para a sua humildade, necessária ao seu adiantamento. Sua crença lhe orienta a conduta e o induz a proceder como quereria que seus subordinados procedessem para com ele, caso fosse o chefe. Por isso mesmo, mais escrupuloso se mostra no cumprimento de suas obrigações, pois compreende que toda negligência no trabalho que lhe está determinado redunda em prejuízo para aquele que o remunera e a quem deve ele o seu tempo e os seus esforços. Numa palavra: solicita-o o sentimento do dever, oriundo da sua fé, e a certeza de que todo afastamento do caminho reto implica uma dívida que, cedo ou tarde, terá de pagar. 


Texto atribuído ao espírito de François-Nicolas-Madeleine, o Cardeal Morlot, produzido em Paris, no ano de 1863, e inserido no livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII, item 9.


É O MESMO

"Pois o mesmo Pai vos ama" - Jesus (João 16, 27)
Ninguém despreze os valores da confiança.

Servo algum fuja ao benefício da cooperação. Quem hoje pode dar algo de útil, precisará possivelmente amanhã de alguma colaboração essencial.

Todavia, por enriquecer-se alguém de fraternidade e fé, não olvide a necessidade do desenvolvimento infinito no bem.

Os obreiros sinceros do Evangelho devem operar contra o favoritismo pernicioso.

A lavoura divina não possui privilegiados. Em suas seções numerosas, há trabalhadores mais devotados e mais fiéis; contudo, esses não devem ser categorizados à conta de fetiches e, sim, respeitados e imitados por simbolos de lealdade e serviço.

Criar ídolos humanos é pior que levantar estátuas destinadas à adoração. O mármore é impassível mas o companheiro é nosso próximo de cuja condição ninguém deveria abusar.

Pague cada homem o tributo de esforço próprio à vida.

O Supremo Senhor espera de nós apenas isto, a fim de converter-nos em colaboradores diretos.

O próprio Cristo afirmou que o mesmo Pai que o distingue ama igualmente a Humanidade. O Deus que inspira o médico é o que ampara o doente. Não importa que asiáticos e europeus o designem sob nomes diferentes. 

Invariavelmente é o mesmo Pai.

Conservemos, pois, a luz da consolação, a bênção do concurso fraterno, a confiança em nossos Maiores e a certeza na proteção deles; contudo, não olvidemos o dever natural de seguir para o Alto, utilizando os próprios pés.

Francisco Cândido Xavier pelo espírito Emmanuel 
no livro "Pão Nosso". 




Faça o download da apresentação utilizada no Estudo das Obras de Emmanuel que ocorre todas as terças-feiras no Centro Espírita Casimiro Cunha A.Q.U.I.










sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

EM TORNO DA VIRTUDE

Se uma criatura possui enorme fortuna, podendo desmandar-se na prodigalidade ou na avareza, e busca empregá-la no bem-estar e no progresso, na educação e no aprimoramento dos semelhantes...

Se dispõe de autoridade com recursos para manejar a própria influência em seu exclusivo proveito, e procura aplicá-la no auxílio aos outros...

Se sofre acusação indébita com elementos para justiçar-se do modo que considere mais justo, e prefere esquecer a ofensa recebida, reconhecendo-se igualmente passível de errar...

Se já efetuou, em favor de alguém, todos os serviços ao seu alcance, recolhendo invariàvelmente a incompreensão por resposta, e prossegue amparando esse alguém, através dos meios que se lhe fazem possíveis, sem exigência e sem queixa...

Essa pessoa ter-se-á colocado, evidentemente, a cavaleiro das piores tentações que lhe assediavam a vida.

Todos nós, – os espíritos em evolução e resgate nas trilhas do Universo, – recapitulamos as experiências em que tenhamos falido. Ã vista disso, todas as provações na escola terrestre assumem a feição de ensinamentos e testes indispensáveis. Há quem renasça mostrando extrema beleza, física, a fim de superar inclinações ao;desregramento carregando um cérebro privilegiado para vencer a vaidade da inteligência; detendo valiosa titulação acadêmica de modo a subjugar a propensão para o abuso; ou exercendo encargos difíceis nas causas nobres, de maneira a extinguir os impulsos de deserção ou deslealdade.

Cada qual de nós, no internato da reencarnação, é examinado nas tendências inferiores que trazemos das existências passadas, a fim de aprendermos que somente nos será possível conquistar o bem, vencendo o mal que nos procure, tantas vezes quantas necessárias, mesmo alem do débito pago ou da sombra extinta.

Fácil, pois, observar que sem a presença da tentação, a virtude não aparece e assim será sempre para que a inocência não seja uma flor estéril e para que as grandes teorias de elevação não se façam sementes frustras no campo da Humanidade.

Francisco Cândido Xavier pelo espírito de Emmanuel 
no livro "Alma e Coração".

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

UM IRMÃO MORTO À SUA IRMÃ VIVA


Minha irmã, tu não me evocas frequentemente; isso não me impede de vir ver-te todos os dias. Conheço teus aborrecimentos: tua vida é penosa, eu o sei, mas é preciso sofrer a sorte nem sempre alegre. Contudo, há por vezes um alívio nas penas. Por exemplo, aquele que faz o bem à custa de sua própria felicidade, pode, por si mesmo ou pelos outros, desviar o rigor de muitas provas.

Neste mundo, é raro ver-se fazer o bem com essa abnegação. Sem dúvida é difícil, mas não impossível, e os que têm essa sublime virtude são realmente os eleitos do Senhor. Se nos déssemos conta dessa pobre peregrinação na Terra, compreenderíamos isto. Mas assim não é: os homens se apegam à busca dos bens, como se devessem ficar sempre em seu exílio. Contudo, o bom-senso comum e a mais simples lógica demonstram, diariamente, que aqui não passamos de aves de arribação e que os que têm menos penas nas asas são os que chegam mais depressa.

Minha boa irmã, para que serve a esse rico todo esse luxo, todo esse supérfluo? Amanhã estará despojado de todos esses vãos ouropéis para descer ao túmulo, para onde nada levará! É verdade que fez uma linda viagem; nada lhe faltou; não sabia mais o que desejar e esgotou as delícias da vida. Também é certo que, em seu delírio, por vezes lançou, sorrindo, uma esmola nas mãos de seu irmão. Por isso terá retirado algo de sua boca? Não, porque não se privou de um só prazer, de uma só fantasia. Contudo, esse irmão é também um filho de Deus, pai de todos, a que tudo pertence. Compreendes, minha irmã, que um bom pai não deserda um de seus filhos para enriquecer o outro? Eis por que recompensará o que foi privado de sua parte nesta vida.

Assim, pois, os que se julgam deserdados, abandonados e esquecidos, alcançarão em breve a margem bendita, onde reinam a justiça e a felicidade. Mas infelizes dos que fizeram mau uso dos bens que nosso Pai lhes confiou. Infeliz, também, o homem aquinhoado com o dom precioso da inteligência, se dela abusou! Acredita-me, Maria, quando se crê em Deus, nada existe na Terra que se possa invejar, a não ser a graça de praticar suas leis.

Teu irmão Wilhelm


Texto da médium Sra Schmidt, por Allan Kardec 
publicado na Revista Espírita, em novembro de 1860.