Introdução

Há muito o que ser aprendido. Há muito o que podemos extrair do que vemos, tocamos, ouvimos, e acima de tudo, sentimos. Nossa sabedoria vem dos retalhos que vamos colhendo ao longo de nossa evolução, que os leva a formar a colcha que somos. Esse espaço é para que eu possa compartilhar das luzes que formam o que Eu tenho sido!!!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

COMO VER A VIDA?

Havia em uma aldeia uma velha chamada “mulher chorosa”, pois todos os dias, chovendo ou fazendo sol, ela sempre estava chorando. Ela vendia bolinhos na rua, e um monge sempre passava por ela quando ia ao grande templo para os ritos. Um dia, curioso, ele lhe perguntou:

“Sempre que passo, seja em belos dias ensolarados, seja em suaves dias chuvosos, vejo a senhora chorando. Por que isso acontece?”

“Tenho dois filhos”, ela respondeu, “Um faz delicadas sandálias, o outro guarda-chuvas. Quando faz sol, penso que ninguém comprará os guarda-chuvas de meu filho, e ele e sua família vão passar necessidades. Quando chove, penso no meu filho que faz sandálias, e que ninguém vai comprá-las. Então ele também vai ter dificuldade para sustentar sua família”.

O monge sorriu e disse:

“Mas… a senhora deveria ver as coisas de forma correta. Veja: quando o sol brilha, seu filho que faz sandálias venderá muito, e isso é muito bom! Quando chove, seu filho que faz guarda-chuvas venderá muito, e isso é também muito bom!”

A velha olhou-o com alegria e exclamou:

“Tem razão!”

Desde então a velha passa todos os dias, chovendo ou fazendo sol, sorrindo feliz.


ANTE OS QUE PARTIRAM


Nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio.

Ver a névoa da morte estampar-se, inexorável, na fisionomia dos que mais amamos, e cerrar-lhes os olhos no adeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e prosseguir vivendo...

Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em anjo da agonia; um esposo que se despede, procurando debalde mover os lábios mudos; uma companheira, cujas mãos consagradas à ternura pendem extintas; um amigo que tomba desfalecente para não mais se erguer, ou um semblante materno acostumado a abençoar, e que nada mais consegue exprimir senão a dor da extrema separação, através da última lágrima!

Falem aqueles que, um dia, se inclinaram, esmagados de solidão, à frente de um túmulo; os que se rojaram em prece nas cinzas que recobrem a derradeira recordação dos entes inesquecíveis; os que caíram, varados de saudade, carregando no seio o esquife dos próprios sonhos; os que tatearam, gemendo, a lousa imóvel, e os que soluçaram de angústia, no adito dos próprios pensamentos, perguntando, em vão, pela presença dos que partiram...

Todavia, quando semelhante provação te bata à porta, reprime o desespero e dilui a corrente da mágoa na fonte viva da oração, porque os chamados mortos são apenas ausentes e as gotas de teu pranto lhes fustigam a alma como chuva de fel.

Também eles pensam e lutam, sentem e choram.

Atravessam a faixa do sepulcro como quem se desvencilha da noite, mas, na madrugada do novo dia, inquietam-se pelos que ficaram... Ouvem-lhes os gritos e as súplicas, na onda mental que rompe a barreira da grande sombra e tremem cada vez que os laços afetivos da retaguarda se rendem à inconformação ou se voltam para o suicídio.

Lamentam-se quanto aos erros praticados e trabalham, com afinco, na regeneração que lhes diz respeito.

Estimulam-te à prática do bem, partilhando-te as dores e as alegria.

Rejubilam-se com as tuas vitórias no mundo interior e consolam-te nas horas amargas para que te não percas no frio do desencanto.

Tranquiliza, desse modo, os companheiros que demandam o Além, suportando corajosamente a despedida temporária, e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os deveres que te legaram.

Recorda que, em futuro próximo que imaginas, respirarás entre eles, comungando-lhes as necessidades e os problemas, porquanto terminarás também a própria viagem no mar das provas redentoras...

E, vencendo para sempre o terror da morte, não nos será lícito esquecer que Jesus, o nosso Divino Mestre e Herói do Túmulo Vazio, nasceu em noite escura, viveu entre os infortúnios da Terra e expirou na cruz, em tarde pardacenta, sobre um monte empedrado, mas ressuscitou aos cânticos da manhã, no fulgor de um jardim.

Emmanuel [Espírito] através de Francisco Cândido Xavier, no livro "Religião dos Espíritos".

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

A SEMENTE DA MOSTARDA


Krisha Gotami teve um filho e este morreu. Transida de dor, ia com o filho morto de casa em casa, pedindo um remédio, e as pessoas diziam:

-Está doida: a criança está morta."

Finalmente, Krisha Gotami encontrou um camponês que respondeu sua súplica dizendo:

-Não posso dar um remédio para a criança, porém sei de um médico capaz de o dar.

E Krisha Gotami respondeu:

-Suplico-te que me digas quem é.

-Vai ver o Buda.

Krisha Gotami foi ver o Iluminado e exclamou, chorando:

- Senhor meu e mestre. Meu filho estava brincando entre as flores e tropeçou numa serpente que se enroscou no seu braço. Ficou logo pálido e silencioso. Não posso aceitar que ele deixe de brincar ou que deixe o meu colo. Senhor meu mestre, dá-me um remédio que cure o meu filho.

O Iluminado respondeu:

- Sim irmãzinha, há uma coisa que pode curar teu filho e a ti, se puderes consegui-la, porque os que consultam os médicos tomam o que lhes é receitado. Procura uma simples semente de mostarda preta, porém só deves receber de uma casa onde nunca tenha entrado a morte, onde não tenha ainda morrido pai, mãe, filho nem filha, nem irmão, nem irmã, nem escravo nem parente.

Aflita, Krisha Gotami foi de casa em casa pedindo o grão de mostarda. As pessoas se compadeciam dela e lhe davam, porém, quando ela pergunta se já tinha morrido alguém naquela casa, lhe respondiam:

- Ah! Poucos são os vivos e muitos os mortos. Não despertes nossa dor.

Agradecida, ela lhes devolvia a mostarda e dirigia-se a outros que lhes diziam:

- Aqui está a semente, porém já morreu nosso escravo.

- Aqui está a semente, porém o semeador morreu entre a estação chuvosa e a colheita.

E não encontrou nenhuma casa onde não tivesse morrido alguém.

Krisha Gotami voltou chorosa para o Iluminado dizendo-lhe:

- Ah! Senhor, não pude encontrar mostarda em casa onde não tivesse havido morte. Então, entre as flores silvestres, na margem do rio, deixei meu filho que não queria mamar nem sorrir, e volto para ver teu rosto e beijar teus pés suplicando-te que me digas onde encontrar essa semente, sem deparar ao mesmo tempo com a morte, pois, apesar de tudo não posso crer na morte de meu filho, como todos me disseram e temo tenha acontecido.

O mestre respondeu-lhe:

- Minha irmã, procurando o que não podes encontrar, achaste o amargo bálsamo que eu queria dar-te. Sobre teu seio, o ser que amas dormiu hoje o sono da morte. Agora já sabes que todo mundo chora uma dor semelhante à tua. O sofrimento que aflige todos os corações pesa menos do que se concentrado num só. Escuta! Derramaria eu meu sangue se, derramá-lo pudesse deter tuas lágrimas e descobrir o segredo de o amor causar angústia e através de prados floridos conduzir-vos ao sacrifício, qual mudos animais conduzidos por seus donos. Nenhum nascido pode evitar a morte. Assim como os frutos maduros caem da árvore, assim os mortais estão expostos à morte desde que nascem. A vida corporal do homem acaba partindo-se como a vasilha de barro do oleiro. Jovens e adultos, néscios e sábios, todos estão sujeitos à morte. Porém, o sábio que conhece a Lei não se perturba, porque nem pelo pranto nem pelo desânimo obtém a paz, mas pelo contrário, isso tudo aviva as dores e os sofrimentos do corpo. A morte não faz caso de lamentações. Morre o homem, e seu destino está determinado por suas ações. Embora viva dez ou cem anos, acaba o homem por separar se de seus parentes ao sair deste mundo. Quem deseja a paz da alma, deve arrancar de sua ferida a flecha do desgosto, da queixa, da lamentação. Feliz será aquele que consegue vencer a dor. Sepulta tu mesma o teu filho.

Extenuada pela dor, Krisha Gotami sentou-se à beira do caminho, pôs-se a meditar no silêncio do entardecer e disse consigo: "Quão egoísta sou eu em minha dor! A morte é o destino comum de tudo quando vive. Porém, neste vale desolado há um caminho que conduz à imortalidade - aquele que elimina de si todo egoísmo.

E sufocando o amor egoísta que sofria por seu filho, enterrou-o no bosque. E foi logo refugiar-se no Iluminado, e encontrou consolo que alivia o coração dilacerado pela dor.

Texto original em:

A CEPA E A IMORTALIDADE DA ALMA


Em Prolegômenos, de O Livro dos Espíritos, os Espíritos instruíram Kardec a colocar no cabeçalho do livro uma cepa, um ramo de videira, por eles desenhada. Buscando entender a mensagem da Espiritualidade superior, lembramos que, na ceia com seus apóstolos, que antecedeu à sua crucificação, Jesus repartiu o pão e serviu-lhes vinho.

O texto bíblico descreve: E, tomando o cálice e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue [...]. (Mateus, 26:27-28.)

Não é sem razão que Jesus tenha utilizado este símbolo. Na cultura hebraica a videira era tida como árvore sagrada que oferecia, entre outros atributos, prosperidade e proteção para aqueles que sob ela se estabelecessem. O próprio Jesus se comparou à videira: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador”. (João, 15:1.) A arte cristã se apropriou deste símbolo. A videira, suas folhas e a própria uva estão representadas em pinturas relacionadas à vida de Jesus. Na iconografia (área da História da Arte que identifica os símbolos e sua interpretação – Iconologia) constata-se que a videira e seus frutos são universalmente utilizados e têm vários significados, incluindo os da imortalidade, do conhecimento e da preexistência. (1)

Na arte funerária cristã, a presença da videira e das uvas também está relacionada à imortalidade. (1) O vinho, em razão de sua cor, é associado ao sangue, que sustenta a vida, vida corpórea do Espírito, ser imortal.

Para a arte cristã a imortalidade está relacionada à vitória do Cristo sobre a morte, pela ressurreição. Tal vitória assegura aos seus adeptos uma vida contemplativa no céu. A cepa desenhada em Prolegômenos, de O Livro dos Espíritos, é também apresentada como um conceito de imortalidade, e é interessante observarmos como os Espíritos se utilizam desse símbolo da arte cristã para definir tal conceito de forma simples. É preciso também ressaltar que o próprio desenho da cepa é bem simples e apresenta as principais características do ramo de uma videira, quais sejam: um galho, algumas folhas e um cacho de uvas.

Os Espíritos apresentam a iconologia para a videira: (2) Porás no cabeçalho do livro a cepa que te desenhamos, porque é o emblema do trabalho do Criador. Aí se acham reunidos todos os princípios materiais que melhor podem representar o corpo e o espírito. O corpo é a cepa; o espírito é o licor; a alma ou espírito ligado à matéria é o bago. O homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo o Espírito adquire conhecimentos. (2)

Na interpretação da gravura, os Espíritos destacam a comparação entre as propriedades da cepa, os atributos do Espírito imortal e o mecanismo por meio do qual o Espírito ganha domínio de si mesmo. A interpretação dada por eles mostra que o conceito de imortalidade na visão espírita não a relaciona a uma vida de contemplação em um plano invisível, mas de trabalho para que o Espírito imortal depure a si mesmo: “O homem quintessencia o Espírito pelo trabalho”, (2) através das reencarnações, “o trabalho do corpo”. (2)

Aplicando a análise iconográfica à cepa, identificamos primeiramente o seu significado convencional, ou seja, seus atributos mais facilmente reconhecíveis: a uva que se reproduz, nascendo, extinguindo-se e renascendo. A interpretação simbólica (iconológica) indica, segundo a obra Kardequiana, que “o espírito é o licor”. (2) Dessa forma, quando o texto bíblico sugere que o vinho é o sangue de Jesus, que venceu a morte física, deduzimos que se o Espírito é o licor (sumo ou seiva da uva), e entendendo o vinho como produto desta seiva, o Espírito também é imortal. Quando encarnado o Espírito é “a alma ou Espírito ligado à matéria”, (2) ou seja, “é o bago”. (2) O bago aqui representa a reencarnação do Espírito, licor, que fica confinado ao corpo físico. Na concepção espírita da imortalidade nós, Espíritos imortais, evoluímos por meio do “trabalho do corpo”, (2) isto é, da reencarnação, como apresentado nas perguntas 166 a 167 de O Livro dos Espíritos.

166. Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se? “Sofrendo a prova de uma nova existência.”

166a. Como realiza essa nova existência? Será pela sua transformação como Espírito? “Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida corporal.”

166b. A alma passa então por muitas existências corporais? “Sim, todos contamos muitas existências. Os que dizem o contrário pretendem manter-vos na ignorância em que eles próprios se encontram. Esse o desejo deles.” 

166c. Parece resultar desse princípio que a alma, depois de haver deixado um corpo, toma outro, ou, então, que reencarna em novo corpo. É assim que se deve entender? “Evidentemente.”

167. Qual o fim objetivado com a reencarnação? “Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?”

Entendemos assim, que a cepa apresentada pela Espiritualidade em O Livro dos Espíritos expressa a mensagem divina da imortalidade. O Espírito imortal conquista sua própria salvação, quando coloca em prática a mensagem de Jesus, o Cristo. Para o Espírito, a morte não existe, mas sim o aprendizado em diferentes vidas, como a uva da vinha que, submetida à pressão, gera o suco, libera a semente, que renasce, mantendo a vida.

Observamos que, ao contrário das pinturas cristãs, os Espíritos não associam a cepa à figura humana, consequentemente não a relacionam com qualquer escola religiosa preexistente. A imortalidade aqui é apresentada como atributo de todos, concedido por Deus, o Criador. Jesus, “guia e modelo” (Op. cit., q. 627) da Humanidade, é referência, mas não propriedade de uma dada religião cristã, pois Ele governa espiritualmente todo o Planeta3 e atende a todas as criaturas. Todo ser é imortal, e o que se busca é ser bom e estar em sintonia com as leis do Criador.

Apesar da simplicidade, representada na gravura na obra kardequiana, identifica-se ali a utilização pelos Espíritos, de forma didática, de um símbolo cristão, apresentando o conceito acerca da imortalidade da alma. A forma de sua utilização é diferenciada na Doutrina Espírita porque não invoca apenas a imagem de Jesus, mas a da sua seara, a sua vinha.

Magda Luzimar de Abreu - REFORMADOR OUTUBRO 2012

1-CHAVALIER, Jean; GHEERBRANT,Alain. Dicionário de símbolos. Rio de Janeiro: Editora José Olympio Ltda., 2009.
2-KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad.Guillon Ribeiro. 92. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2012. Prolegômenos, p. 60 e 62.
3-XAVIER, Francisco C. Vinha de luz. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. 5. reimp. Rio de Janeiro: FEB Editora, 2012. Cap. 59.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

RESISTE À TENTAÇÃO

"Bem-aventurado o homem que sofre a tentação. - (Tiago, 1:12)

Enquanto  nosso  barco  espiritual  navega  nas águas  da inferioridade,  não podemos aguardar isenção de ásperos conflitos interiores. Mormente na esfera carnal,  toda  vez  que  empreendemos  a melhoria  da  alma,  utilizando  os trabalhos  e obstáculos  do  mundo,  devemos  esperar  a multiplicação  das dificuldades  que  se  nos deparam,  em  pleno  caminho  do conhecimento iluminativo.

Contra  o  nosso  anseio  de  claridade,  temos milênios  de  sombra. Antepondo-se-nos  à  mais humilde  aspiração  de  crescer  no  bem,  vigoram os séculos em que nos comprazíamos no mal. 

É por isto que, de permeio com as bênçãos do Alto, sobram na senda dos discípulos as tentações de todos os matizes. 

Por  vezes,  o  aprendiz  acredita-se  preparado  a vencer  os  dragões  da animalidade que lhe rondam as portas; todavia, quando menos espera, eis que as sugestões  degradantes  o  espreitam  de  novo, compelindo-o  a  porfiada batalha.

Claro, portanto, que nem mesmo a sepultura nos exonera dos atritos com as trevas, cujas raízes se nos alastram na própria  organização espiritual. Só a morte da imperfeição em nós livrar-nos-á delas.

Haja,  pois,  tolerância  construtiva  em  derredor  da caminhada  humana, porque  as  insinuações malignas  nos  cercarão  em  toda parte, enquanto nos demoramos na realização parcial do bem.

Somente alcançaremos libertação, quando atingirmos plena luz. 

Entendendo  a  transcendência  do  assunto,  o apóstolo  proclama  bem-aventurado  aquele  “que sofre  a  tentação”.  Impossível,  por  agora, qualquer referência  ao  triunfo  absoluto,  porque vivemos ainda  muito  distantes  da condição angélica; entretanto,  bem-aventurados  seremos  se bem sofremos esse  gênero  de  lutas,  controlando os impulsos  do  sentimento  menos aprimorado e aperfeiçoando-o, pouco a pouco, à custa do esforço próprio, a fim de  que  não  nos  entreguemos inermes  às  sugestões  inferiores  que procuram converter-nos em vivos instrumentos do mal. 

Emmanuel [Espírito] através de Francisco Cândido Xavier,
 no livro "Pão Nosso", capítulo 101.

domingo, 3 de janeiro de 2016

TENDÊNCIAS: REFLEXOS DO PASSADO



A reencarnação não apaga as experiências adquiridas no pretérito; apenas as encobre com o véu do esquecimento, a fim de que o indivíduo possa prosseguir, sem interferências diretas, a sua jornada evolutiva. Na busca constante de novos conhecimentos, o Espírito completará o seu aprendizado ao longo das eras.

O ser humano, a cada encarnação, enfrentará as vicissitudes que definirão o seu aprimoramento. Se bem-sucedido, incorporará novas conquistas; se derrotado, árduas lutas se travarão entre os verdadeiros e falsos valores incorporados.

Jesus apresenta ao homem a fórmula segura para alcançar os seus objetivos sem tombar pelos atalhos:

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela. [...]

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”. (Mateus, 7:13 e 21.)

Portanto, todo aquele que direciona a vontade pelos caminhos do estudo, do trabalho digno, do respeito a Deus e aos semelhantes, consegue enriquecer o espírito de bens perenes. Estes bens são conquistas que o tempo jamais apagará.

Experiências adquiridas ficam impressas nos arquivos mentais do Espírito e acompanham-no ao longo das reencarnações, razão pela qual a criança revela tendências incompreensíveis àqueles que desconhecem as leis da reencarnação. De tempos em tempos a mídia revela crianças-prodígio que apresentam o dom da música e se identificam com certos instrumentos sem qualquer aprendizado anterior. Outras encontram tanta intimidade com os números a ponto de realizar cálculos impossíveis de se conceber na faixa etária em que se encontram. Não é raro observar crianças mal saídas do berço que já revelam tendências agressivas e paixão por armas. São tendências que demonstram seu cabedal de experiências adquiridas em outras vidas. Algumas delas se manifestam logo na primeira idade; enquanto outras podem vir à tona em momentos marcantes da vida. Os pais, geralmente, assistem, atônitos, a seus adoráveis rebentos revelarem caráter agressivo ou dócil; confiante ou temeroso; obediente ou revoltado; amoroso ou arredio. Se os genitores apresentam traços semelhantes, certamente se convencerão de que a virtude ou a falha moral, que se manifesta no seu descendente, é de origem hereditária. Daí se ouvir certos refrões: “Aquele menino puxou o gênio do pai, ou a inteligência da mãe”; “Aquele outro tem a agressividade do seu avô”. Há características que em nada se assemelham às dos seus familiares.

O Espiritismo faz luz sobre a diferença entre a hereditariedade e as tendências inatas. Assim, os traços físicos que se assemelham aos dos familiares, como a cor dos olhos, da pele, dos cabelos; compleição física e outros tantos traços, próprios do corpo carnal, pertencem à lei da hereditariedade, pois sua origem está nos elementos biológicos herdados de seus antecessores, os quais compõem a vestimenta material. No entanto, se a criança apresenta deficiências físicas, congênitas ou, até certo ponto, adquiridas, não se pode dizer que são heranças biológicas e sim os reflexos atuais de mazelas que foram armazenadas em vidas anteriores, pelo Espírito que reencarna para cumprir expiação voluntária ou compulsória, a fim de quitar seus débitos com a lei. Entretanto, a hereditariedade pode colaborar para que a lei se cumpra.

As características psicológicas inatas não são heranças que se transmitem de pais para filhos. São, sim, conseqüências de créditos ou débitos adquiridos pelo Espírito em encarnações precedentes. Determinadas tendências que caracterizam o indivíduo podem apresentar semelhanças com as apresentadas por seus genitores. Todavia, se esses traços não foram adquiridos nesta vida, pelos veículos da educação ou do exemplo, certamente se explicam pelas leis da reencarnação. Os dons semelhantes se revelam pela afinidade existente entre famílias espirituais. Há grupos que partilharam, em outras vidas, ou no plano espiritual, experiências afins. Assim, um ou mais membros de uma mesma família podem ter vivenciado situações pretéritas em que todos ou parte deles perpertenceram à mesma família, mesma região, ou participaram de organizações científicas, religiosas, artísticas, profissionais, políticas, que lhes propiciaram tendências semelhantes. Um outro grupo familiar pode se identificar com guerreiros , desordeiros, viciosos com os quais conviveram no passado.

A infância é, portanto, o período apropriado para se reforçar as tendências boas e desfazer as infelizes. E os pais que amam seus filhos não possuem instrumento melhor para educá-los senão o Evangelho, complementado pela disciplina e hábitos saudáveis. Este é o mecanismo para a educação moral do ser em formação.

O insigne Codificador expõe o processo educativo ideal:

“[...] Há um elemento, [...] sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria. Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto, a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. [...]”. (O Livro dos Espíritos, questão 685, comentário de Kardec.)

É importante ressaltar que o renascimento não ocorre aleatoriamente, há sempre uma programação com finalidade útil para o Espírito renascente. Portanto, reencarnar não tem por objetivo único cumprir provas e expiações, mas, sobretudo, promover o crescimento do Espírito. Quanto maior o crédito acumulado, mais curto se torna o caminho que conduz aos ideais superiores. Daí a responsabilidade dos pais de investir na educação, no aprimoramento moral dos filhos, ainda no período infantil, a fim de que a reencarnação deles seja proveitosa. Esse é o caminho para que o Espírito cresça de conformidade com os padrões morais evangélicos e, no momento aprazado, retorne à vida espiritual com o futuro consolidado nas leis divinas.

A Doutrina Espírita, alicerçada no Evangelho de Jesus, propõe ao homem o trabalho constante de sua escultura moral.

Aceitar a hereditariedade como causa das insuficiências morais é duvidar da Justiça Divina. A lei da reencarnação é a expressão mais justa da misericórdia do Criador para com suas criaturas. É a oportunidade de desfazer enganos e apagar delitos; de refazer amizades e ampliar vínculos no equilíbrio de energias afins; de se reconstruir o que se destruiu em existências anteriores. É oportunidade de crescer. Afirma Kardec: Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.
(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 4).

Esse é o objetivo primordial da reencarnação. É importante que o ser humano se conscientize de que nenhuma educação, nenhuma aquisição moral se efetiva sem perseverança, sem esforço, sem Evangelho. A conquista da luz interior só se alcança com muito suor e lágrimas.

Jesus legou ao homem o mais perfeito roteiro de vida: o seu Evangelho, programado para se projetar futuramente no Consolador, que floresceu na Doutrina Espírita. É preciso valorizar esse tesouro.

Para o Espírito recalcitrante, cujos instrumentos educacionais não surtem o efeito desejado, um outro se apresenta infalível: a dor.

Nesse mecanismo de conquistas e aquisições, ou quedas e sofrimentos, de acordo com as leis da vida, a hereditariedade pode colaborar para a realização desse feito. Assim, o conjunto de hábitos morais e intelectuais, adquiridos e aprimorados por uma educação bem direcionada, se agregarão às tendências inatas arquivadas ao longo do carreiro evolutivo, e jamais se perderão com a desintegração da matéria.

Um físico saudável é benesse adquirida em vivências de equilíbrio e respeito à veste carnal, enquanto que um corpo doente reflete os abusos e vícios cultivados. É, pois, a lei da hereditariedade que faculta esta tarefa. Uma mente prodigiosa revela as conquistas encetadas ao longo de muitas encarnações. Porém, somente um Espírito evangelizado irradiará a paz das conquistas sedimentadas nos celeiros de obras realizadas em sincronia com as leis divinas.

Esta realidade, revelada pela Doutrina dos Espíritos, é o cerne da semente plantada pelo Divino Lavrador.

Publicado originalmente por A. Merci Spada Borges na revista Reformador, ano 125, nº 2.135, fevereiro de 2007. (grifos nossos)

sábado, 2 de janeiro de 2016

LIÇÕES DO MOMENTO


Deus é amor invariável e o amor desafivela os grilhões do espírito. 

Se há repouso na consciência, a evolução da alma ergue-se, desenvolta, dos alicerces insubstituíveis do sacrifício. 

Quem não se bate pelo bem, desce imperceptivelmente para as fileiras do mal. 

Junto à correção sempre existe o desacerto, exaltando o mérito do dever na conduta digna. 

Identifique, na dificuldade, o favor da Providência Divina para dilatar-lhe a paz, sentindo, no imprevisto da experiência mais grave, o fulcro de incitamento à perseverança na boa intenção e vendo, na tibiez de quantos imergiram na invigilância, o exemplo indelével daquilo que não deve ser feito. 

Quanto maior a sombra em torno, mais valiosa a fonte de luz. 

Desse modo, a alegria pura viceja entre a dor e o obstáculo; a resignação santificante nasce em meio às provas difíceis; a renúncia intrépida irrompe no seio da injustiça das emulações acirradas, e a pureza construtiva surge, não raro, em ambiente de viciação mais ampla. 

Eis por que, em seu círculo pessoal, se entrecruzam mensagens importantes e diversas a lhe doarem o estímulo e a consolação, o entendimento e a claridade de que você carece para ajustar-se espiritualmente, através das lides variadas de cada instante. 

O chefe irritadiço é instrumento providencial da corrigenda. 

O companheiro problemático deixa-nos livre caminho à sementeira da fraternidade sem mescla. 

O engano é precioso contraste a ressaltar as linhas configurativas da atitude melhor. 

A tortuosidade do caminho demonstra a excelência da estrada reta. 

Faça, pois, do momento que transcorre, a lição recolhida para o momento a transcorrer, verificando quantas vezes, em vinte e quatro horas, você é requisitado a auxiliar os semelhantes, e não regateie cooperação. 

Na oficina de trabalho, buscam-lhe a gentileza no amparo de muitos corações que se sentem ao desabrigo. 

Na via pública, esbarram-lhe o passo companheiros que vão e vêm buscando encontrar o sorriso que você pode ofertar-lhes como incentivo à esperança.

No recesso do lar, o alvorecer encontra-lhe a presença, em novas possibilidades de exaltar a confiança nos Desígnios da Altura. 

Na conversação comum, requisições ostensivas auscultam-lhe a disposição de estender conhecimento e virtude, na enfermagem das chagas morais, entrevistas na modulação das vozes e nos traços dos semblantes, afora variegados ensejos de assistir o próximo, a lhe desafiarem a eficiência e a vigilância, tais como a necessidade interior estampada no silêncio do visitante, o azedume do colega menos feliz, o doente a buscar-lhe os préstimos, o sofredor a rogar-lhe compreensão, a abordagem da criancinha desvalida, a surpresa menos agradável, a correspondência a exigir-lhe a atenção ou o noticiário intranquilo que a imprensa propala. 

Pureza inoperante é utopia igual a qualquer outra e, em razão disso, ignorar a poça infecta é manter-lhe a inconveniência. 

Não menospreze, assim, a lição do momento, na certeza de que renovamos ideias, experiências e destinos, cada dia, segundo as particularidades das manifestações de nosso livre-arbítrio. 

André Luiz [Espírito] através de Francisco Cândido Xavier e 
Waldo Vieira, no livro: O Espírito da Verdade, capítulo 28.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

AS BÊNÇÃOS DE DEUS


Narra uma antiga história popular que um modesto trabalhador braçal encontrava-se no seu trato de terra lavrando-o, em um amanhecer de beleza arrebatadora, quando se lhe acercou um indivíduo citadino muito bem vestido, materialista confesso, que, impossibilitado de conter a emoção e a arrogância diante do festival de cor, som e magia que a natureza lhe apresentava, perguntou-lhe:
— Camponês, tu crês em Deus?
— Sim, senhor, eu creio em Deus! – respondeu-lhe o homem simples.
— Então, nesta manhã maravilhosa, mostra-me um lugar onde Deus se encontra – e sorriu, sarcástico.
O homem humilde olhou em volta, enquanto se apoiava ao cabo da enxada, e depois, com naturalidade, respondeu: 
— Senhor, eu não sou capaz de mostrar um lugar onde Deus se encontra nesta paisagem iluminada. No entanto, eu peço ao senhor para mostrar-me um lugar onde Deus não está.
Tomado de espanto, o soberbo afastou-se desconsertado.

Deus se encontra em toda parte, onde quer que se apresente a Sua obra.
Desde a sinfonia galática, nos espaços infinitos, até o acelerado ritmo das micropartículas em suas órbitas. Quando os geneticistas conseguiram realizar o milagre da decodificação do genoma humano, surpreenderam-se com os bilhões de informações contidas em cada DNA, narrando toda a sua história do passado e guardando as marcas dos acontecimentos orgânicos para o futuro...
Até este momento, por mais aprofundem as reflexões e pesquisas, ainda não conseguiram detectar os fatores que levam alguns genes a mutações que irão responder por diversos processos degenerativos no organismo, e por que numa sequência familiar mantendo o padrão em determinado grupo, logo, subitamente, sem causa lógica, rompe a cadeia e apresenta uma significativa alteração...

De igual maneira, é perturbadora a formação das novas galáxias assim como o desaparecimento de outras nos buracos negros...
Por mais penetre a investigação científica e tecnológica nos milagres da vida, mais lhes constata a anterioridade, a harmonia, a grandiosidade.
Nas tentativas de interpretar o cosmo, têm sido elaboradas teses contínuas, algumas frutos dos resultados adquiridos com os instrumentos de pesquisa, especialmente depois dos estudos geométricos de Kepler, no fim do século XVI, a respeito da localização dos planetas em volta do Sol, que abriram as perspectivas para melhor entender-se a Criação.
Da mesma forma, desde o modesto telescópio construído por Galileu até o avançado Hubble, novas informações são registradas a cada momento, dando lugar às variadas teorias como as dos universos paralelos, das supercordas, da unificação, do final ou de tudo e, mais recente, da desordem ou do caos...
... E enquanto as mentes mais audaciosas analisam a ocorrência do Big Bang, especialmente nos seus três primeiros minutos, não poucos tentam impor a ideia da autocriação dispensando a presença de Deus, conforme ocorreu com Laplace ao ser interrogado pelo imperador Napoleão Bonaparte, quando, após ler o seu livro, encontrando-o no palácio do Louvre, informou-o que não havia encontrado nenhuma referência a Deus na sua obra: 
— Não necessitei dessa hipótese, senhor!  – respondendo com sarcasmo, como se ele houvesse elaborado todas as respostas para explicar a Criação. E, nada obstante, encontra-se hoje quase que totalmente superada, apesar da presunção do seu autor.

Tudo são bênçãos em a natureza.

O Espírito imortal, na sua saga formosa de desenvolvimento dos tesouros inabordáveis que lhe jazem em germe, etapa após etapa acumula experiências e conhecimentos que o levam a louvar, a agradecer e a pedir a Deus ajuda para melhor integrar-se na harmonia da Criação.
Penetrando, pouco a pouco, a sua sonda perquiridora do raciocínio no organismo da vida exuberante, vai encontrando as respostas que o engrandecem e lhe facilitam o entendimento em torno dos objetivos essenciais da pequena existência terrena, ambicionando a grandeza estelar.
Observa a ordem em todas as coisas e o equilíbrio das leis universais e morais, sentindo-se compelido a contínuas alterações de entendimento, conforme os resultados obtidos no seu empenho de crescimento intelecto-moral.
É perfeitamente natural que, em cada época, conforme o desenvolvimento dos valores intelectivos, o ser humano, em sua ânsia de decifrar as incógnitas que encontrava em toda a parte, procurasse entender Deus e submetê-Lo ao crivo da sua dimensão ridícula.
O esforço redundou nas conceituações primárias em torno do Criador, limitando-O à sua capacidade de compreensão, estabelecendo normas que O diminuíssem aos limites das condições precárias da razão em desenvolvimento, facultando o surgimento dos deuses, como verdadeiros inevitáveis arquétipos defluentes do seu avanço pela escala evolutiva.
Do Deus bárbaro e vingativo, imprevidente e humanoide, lentamente passou com Jesus Cristo à condição de Sublime Pai, num conceito afetuoso e ainda humano, porém compatível com a humana capacidade de vivenciá-Lo no seu dia a dia.
Com o advento da ciência, com o desdobramento da filosofia, rompendo as barreiras do passado e facultando a libertação de conceitos que foram deixados porque portadores de rebeldia e de pessimismo, nova compreensão da Sua magnitude tomou lugar na esfera das reflexões e o materialismo surgiu como sendo a fórmula mágica para tranquilizar as mentes incapazes de penetrar nas abstratas concepções em torno Dele.

Na atualidade, ainda vestido de mitos e de absurdos, dominado por paixões nacionais e políticas, crendices e ritualismos, permanece vitorioso em cultos externos que não resistem às profundas análises da lógica nem da razão, servindo de ópio para as massas, que o autoritarismo religioso de algumas doutrinas ortodoxas ou ingênuas ainda submetem. 
Essa Inteligência criadora que precede ao Big Bang permanecerá por tempo indeterminado não entendida em todos os seus aspectos, pois que, se o fosse, já não seria a Causalidade, cedendo seu lugar ao ainda mesquinho ser humano que ensaia os seus primeiros passos na compreensão da sua própria realidade.
Vivendo mais por automatismo e acreditando por condicionamentos como bem viver e melhor ser feliz, o ser humano em evolução não dispõe da capacidade de abarcar a Natureza da natureza, somente para satisfazer a sua ambição intelectual.
Desse modo, mesmo quando não entende Deus, sente a Realidade em tudo e percebe-se mergulhado nesse Oceano de harmonia que o comove e não lhe permite estabelecer se Deus está nele ou se apenas é...

Quando alguém perguntou ao eminente cientista Jung se ele acreditava em Deus, ele teria respondido com simplicidade:
— Eu não acredito. Eu sei...
Saber é para sempre enquanto crer é transitório.
As bênçãos de Deus inclusive se encontram na capacidade fantástica de o ser humano poder pensar, entender e aprofundar reflexões, conseguindo conquistar a gloriosa oportunidade de saber e transformar em utilidade pelos instrumentos de que se utiliza para penetrar no macro e no microcosmo, mas acima de tudo no Psiquismo gerador do universo e da vida.
Vive de tal forma que te encontres perfeitamente em sintonia com as bênçãos de Deus onde te encontres e diante do que faças, até poderes afirmar um dia, conforme Jesus elucidou:
— Eu e o Pai somos um.

Joanna D'Ângelis [Espírito] através de 
Divaldo P. Franco no livro: "Entrega-te a Deus". 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

QUAIS OS TRÊS CONJUNTOS DE QUESTÕES QUE ORGANIZAM A REFLEXÃO FILOSÓFICA?

1 - "Por que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos e fazemos o que fazemos?" Isto é; quais os motivos, as razões e as causas para pensarmos o que pensamos, dizermos o que dizemos, fazermos o que fazemos?

2 - "O que queremos pensar quando pensamos, o que queremos dizer quando falamos, o que queremos fazer quando agimos?" Isto é, qual é o conteúdo ou o sentido do que pensamos, dizemos ou fazemos?

3 - "Para que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos, fazemos o que fazemos?" Isto é, qual é a intenção ou a finalidade do que pensamos, dizemos e fazemos?


O QUE É E COMO É A REFLEXÃO FILOSÓFICA?

A reflexão filosófica é o movimento pelo qual o pensamento, examinando o que é pensado por ele, volta-se para si mesmo como fonte desse pensado. É o pensamento interrogando-se a si mesmo ou pensando-se a si mesmo. É a concentração mental em que o pensamento volta-se para si próprio para examinar, compreender e avaliar suas ideias, suas vontades, seus desejos e sentimentos. 

A reflexão filosófica é radical porque vai à raiz do pensamento, pois é um movimento de volta do pensamento sobre si mesmo para pensar-se a si mesmo, para conhecer como é possível o próprio pensamento ou o próprio conhecimento. 

Não somos, porém, somente seres pensantes. Somos também seres que agem no mundo, que se relacionam com os outros seres humanos, com os animais, as plantas, as coisas, os fatos e acontecimentos, e exprimimos essas relações tanto por meio da linguagem e dos gestos como por meio de ações , comportamentos e condutas. A reflexão filosófica também se volta para compreender o que se passa em nós nessas relações que mantemos com a realidade circundante, para o que dizemos e para as ações que realizamos.